Hantavírus mata homem no Brasil e DGS publica orientações para Portugal
Primeira morte por hantavírus no Brasil em 2026 confirmada em Minas Gerais. Em Portugal, a DGS publicou orientações para casos suspeitos — mas garante que o risco se mantém muito baixo.
O hantavírus continua a dominar a agenda internacional. Enquanto o mundo acompanha o surto a bordo do navio MV Hondius, Minas Gerais, no Brasil, confirmou a primeira morte por hantavírus no país em 2026. A vítima era um homem de 46 anos, residente em Carmo do Paranaíba, que tinha histórico de contacto com roedores silvestres numa lavoura. O óbito ocorreu em fevereiro, mas a confirmação laboratorial foi conhecida agora.
É importante sublinhar que este caso não tem qualquer relação com o surto do MV Hondius. A cepa identificada no Brasil não é a Andes – variante rara capaz de transmitir-se entre pessoas –, mas sim uma das nove variantes em circulação no país, todas transmitidas exclusivamente por roedores e sem risco de contágio de pessoa para pessoa.
DGS emite orientações para Portugal
Neste contexto de alerta internacional, a Direção-Geral da Saúde publicou orientações dirigidas aos profissionais do sistema de saúde português, definindo como atuar perante possíveis casos suspeitos ligados ao surto do MV Hondius. A DGS é clara. “O risco para Portugal mantém-se muito baixo, pelo que não há medidas preventivas a implementar a nível nacional para a população.”
Quem é considerado caso suspeito
Segundo as orientações da DGS, elaboradas com base nas recomendações da OMS e do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC), considera-se caso suspeito qualquer pessoa que tenha partilhado ou visitado um meio de transporte – barco ou avião – onde tenha havido um caso confirmado ou provável de infeção por hantavírus Andes, ou que tenha estado em contacto com um passageiro ou membro da tripulação do MV Hondius e apresente febre aguda acompanhada de um ou mais dos seguintes sintomas: dores musculares, calafrios, dor de cabeça, sintomas gastrointestinais como náuseas, vómitos ou diarreia, ou sintomas respiratórios como tosse, falta de ar ou dor no peito.
Quem são os contactos de alto risco
A DGS classificou como “contactos de alto risco” todas as pessoas a bordo do MV Hondius, com exceção dos especialistas em saúde pública que embarcaram em Cabo Verde em 6 de maio. São também considerados de alto risco quem partilhou quarto, casa de banho, refeições ou espaços com casos confirmados, bem como profissionais de saúde que prestaram cuidados a doentes sem equipamento de proteção adequado.
Sintomas e o que fazer
A DGS determinou que o INEM deve ser ativado para garantir o transporte seguro de casos suspeitos. Qualquer pessoa que se enquadre na definição de caso suspeito e desenvolva sintomas deve contactar a linha SNS 24 – 808 24 24 – antes de se deslocar a uma unidade de saúde.
Sete casos confirmados, três mortos no MV Hondius
A OMS e o ECDC confirmaram até agora sete casos de infeção por hantavírus ligados ao MV Hondius, com três mortes. Após a conclusão da operação de repatriamento em Tenerife ontem, os passageiros regressaram aos países de origem, onde cumprem os 42 dias de quarentena recomendados pela OMS.
O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi peremtório:. “Não se trata de outra Covid-19. As pessoas não devem ter medo nem entrar em pânico.”