Governo moçambicano reconhece atraso no pagamento de horas extras aos professores

A ministra da Educação moçambicana, Samaria Tovela, apelou hoje à compreensão e paciência dos professores em greve, reconhecendo que o Governo não tem condições para liquidar de uma só vez as dívidas de horas extraordinárias acumuladas desde 2022.  

Governo moçambicano reconhece atraso no pagamento de horas extras aos professores

“Tenham um bocadinho de paciência, porque não é possível fazer o pagamento de todas as dívidas, 2022, 2023, quer dizer, tudo ao mesmo tempo”, disse hoje à comunicação social Samaria Tovela, ministra da Educação e Cultura moçambicana, em Maputo.

As declarações da governante surgem numa altura em que um grupo de professores mantém, desde segunda-feira, a paralisação do ensino em três escolas da província de Gaza, incluindo uma secundária, alegando ter sido enganado nas negociações sobre a reposição salarial e o pagamento de subsídios.

A ministra moçambicana explicou que o Governo já regularizou as horas extraordinárias de 2022 e 2023, admitindo, no entanto, que algumas províncias ainda apresentam constrangimentos no pagamento das dívidas relativas a 2023.

“Estamos articulados com o Ministério das Finanças nesse sentido para podermos satisfazer aquilo que é um direito dos nossos professores, mas a hora extra vai ser recebida sim, e tem de ser recebida. O Estado sempre pagou (…). Então, estamos a pedir mesmo é que os nossos professores entendam, que compreendam, sobretudo, que as nossas crianças estão ali preparadas, já de manhã estão ali, e a mensagem é essa, temos de ser uma equipa”, disse.

Samaria Tovela reiterou que estes processos não devem, em circunstância alguma, comprometer o direito das crianças à educação, sublinhando que as horas extraordinárias correspondem ao trabalho prestado pelos professores além do horário normal, já contemplado pelo salário mensal.

“Então nós não podemos paralisar porque o salário vem, não sei se estão a perceber, mensalmente nós recebemos salário. Quando o professor não vai à escola, a penalização é sobre o salário daquele mês”, assinalou.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, professores de escolas da cidade de Xai-Xai, frequentadas por cerca de 3.000 alunos, anunciaram a retoma da greve com efeitos imediatos, paralisando todo o processo de ensino e aprendizagem na região.

Em causa estão as escolas primárias Ndambine 2000, Ndambine 2013 e a secundária Nambine 2000, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, sul de Moçambique, cujo coletivo de professores se queixa do incumprimento das remunerações dos Funcionários e Agentes do Estado, conforme se explica no documento.

“Os professores foram enganados, vejamos, passam-se quatro anos à espera de dinheiro das horas extras de 2023”, refere-se no comunicado, recordando-se sucessivas reuniões dirigidas aos funcionários distritais de Xai-Xai, que culminaram com promessas de pagamento total das dívidas.

No documento, estes profissionais apresentam uma agenda com exigências para o enquadramento, com retroativos, na Tabela Salarial Única (TSU), extinção imediata de subsídio funerário, alegando que não serve para os profissionais, e o aumento de vencimento ou progressão na carreira com base nos anos de serviço na função pública.

Moçambique regista nos últimos anos greves e paralisações convocadas pelos profissionais de diferentes setores, representados nomeadamente pela Associação Nacional dos Professores (Anapro), Associação Nacional dos Enfermeiros de Moçambique (Anemo), Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Associação dos Professores Unidos (APU) e o Sindicato Nacional da Função Pública (Sinafp), pressionando o Governo para o cumprimento de exigências como melhores condições de trabalho e o enquadramento no TSU.

LCE // MLL

By Impala News / Lusa

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