Governo de Macau diz que “não se está a ajoelhar” às operadoras de jogo no recuo na proibição de fumar

O chefe do Governo de Macau disse hoje que o executivo “não se está a ajoelhar” às operadoras de jogo, depois de admitir recuar na proibição total do fumo nos casinos, indo ao encontro da pretensão do setor.

Governo de Macau diz que

Macau, China, 22 fev (Lusa) — O chefe do Governo de Macau disse hoje que o executivo “não se está a ajoelhar” às operadoras de jogo, depois de admitir recuar na proibição total do fumo nos casinos, indo ao encontro da pretensão do setor.


“Primeiro deixe-me falar sobre ajoelhar: nós, [como] qualquer Governo que seja, ouvimos diferentes opiniões e ponderamos sobre os interesses gerais, porque essa é a nossa responsabilidade”, disse hoje Chui Sai On, em resposta à questão sobre se o executivo se estava a ajoelhar aos interesses das operadoras de jogo.


Chui Sai On falava aos jornalistas no aeroporto de Macau, à partida para uma visita que inclui as províncias chinesas de Fuzhou e de Cantão, uma ocasião que aproveitou para fazer uma retrospetiva sobre o Regime de Prevenção e Controlo do Tabagismo, observando que as zonas VIP são atualmente os únicos espaços dos casinos onde é permitido fumar.


Na semana passada, os Serviços de Saúde apresentaram uma proposta que permite que se continue a fumar nos casinos, o que, na prática, representa um recuo na política de tolerância zero do Governo.


A proposta dos Serviços de Serviços de Saúde surgiu dois dias depois de as seis operadoras de jogo terem sugerido a manutenção de salas de fumo, argumentando que tal tinha o apoio da maioria dos trabalhadores dos casinos.


Contudo, há algumas associações de empregados dos casinos que contestam e na terça-feira foi entregue uma petição de um grupo a pedir a proibição total do fumo e a inclusão na lista de doenças profissionais de problemas derivados do fumo passivo, segundo a imprensa.


As declarações de Chui Sai On surgem depois de, na semana passada, o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam, ter rejeitado que o Governo esteja a ceder a pressões das operadoras de jogo e que esteja aberto a mudar o rumo da legislação por causa da queda da economia, fortemente assente nas receitas dos casinos.


Alexis Tam, conhecido por defender a “tolerância zero ao tabaco”, disse então que o governo aguardava a resposta das operadoras de jogo à proposta dos Serviços de Saúde com “elevadores padrões de qualidade do ar nas salas de fumo” a instalar nas zonas VIP.


O secretário da tutela condicionava assim a alteração do diploma, aprovado em 2015 na generalidade, à resposta das operadoras de jogo à proposta dos Serviços de Saúde.


“Por agora não tenho novidades sobre uma decisão final”, disse hoje o chefe do executivo.


De acordo com as duas propostas – das operadoras de jogo e dos Serviços de Saúde -, as salas VIP — o único espaço onde atualmente é permitido fumar livremente no interior dos casinos — passam a ter salas de fumo, à semelhança do que já existe na zona de jogo de massas.


Na prática, deixa de ser permitido aos clientes das salas VIP jogar e fumar em simultâneo, tendo os fumadores que se deslocar para uma sala de fumo.


A diferença entre as duas propostas está nos critérios técnicos, com a do governo a apresentar “exigências mais elevadas, tal como elevar a pressão negativa de -1 Pascal para -5 Pascal”.


A Lei da Prevenção e Controlo do Tabagismo entrou em vigor em 2012 e tem vindo a ser implementada de forma gradual. Os casinos passaram a ser abrangidos em 2013, mas apenas parcialmente, com as seis operadoras de jogo autorizadas a criar zonas para fumadores.


Em 2014, as zonas foram substituídas por salas de fumo fechadas, com sistema de pressão negativa e de ventilação independente, passando a ser proibido fumar nas zonas de jogo de massas dos casinos e permitido apenas em algumas áreas das zonas de jogo VIP.


No entanto, o Governo anunciou depois a intenção de proibir totalmente o tabaco nos casinos, mas essa alteração tem demorado a entrar em vigor, com a indústria a opor-se firmemente.



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By Impala News / Lusa

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