Exposição apresenta última carta do mártir jesuíta Miguel Carvalho
A estreia em Portugal do filme de Martin Scorsese “Silêncio” é acompanhada pela apresentação, inédita no país, da carta de Miguel Carvalho, um jesuíta português morto pelas autoridades japonesas no século XVII.
Lisboa, 17 jan (Lusa) – A estreia em Portugal do filme de Martin Scorsese “Silêncio” é acompanhada pela apresentação, inédita no país, da carta de Miguel Carvalho, um jesuíta português morto pelas autoridades japonesas no século XVII.
A exposição “Japão: a última carta de um mártir” vai estar patente até 19 de fevereiro, no Museu de São Roque, em Lisboa.
Na carta, que motiva a exposição, Miguel Carvalho despede-se do irmão Simão Carvalho, depois de o jesuíta português ter sido preso em julho de 1623 por pregar o cristianismo. Passou vários meses na prisão antes de ser condenado à fogueira e torturado a 25 de agosto de 1624 pelas autoridades japonesas.
Antes de ser missionário no Japão, Miguel Carvalho, que entrou para a Companhia de Jesus em 1597, foi professor de teologia em Goa e Macau durante 15 anos.
Contemporâneo dos portugueses retratados em “Silêncio”, Miguel Carvalho foi beatificado em 1867 pelo papa Pio IX.
No filme, que o realizador norte-americano esperou mais de 20 anos para concretizar, dois missionários jesuítas portugueses – Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garupe (Adam Driver) – viajam de Macau para o Japão, no século XVII, em busca do mentor, o padre Cristovão Ferreira (Liam Neeson), para confirmar se o jesuíta, perseguido e torturado pelas autoridades japonesas, renunciou à fé cristã.
Em território nipónico, sob o xogunato de Tokugawa Ieyasu, que baniu o catolicismo e quase todo o contacto com os estrangeiros, os dois jovens religiosos testemunham a perseguição dos japoneses cristãos pelas autoridades.
O filme de Scorsese baseia-se no romance homónimo do japonês Shusaku Endo, publicado em 1966.
Esta iniciativa integra a agenda cultural que acompanha a estreia de “Silêncio” para debater o papel dos jesuítas em Portugal e no mundo, a perseguição religiosa, as relações entre Portugal e o Japão, a arte e a religião,
A Companhia de Jesus, uma das principais ordens religiosas masculinas católicas, fundada em 1540 por Inácio de Loyola, conta atualmente 16.479 membros (padres, irmãos laicos, seminaristas e noviços).
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