Ex-PM espanhol Zapatero diz-se “completamente inocente” após ser ouvido por juiz

O ex-primeiro-ministro espanhol Jose Luis Rodriguez Zapatero garantiu hoje a sua inocência, após ter sido ouvido durante três horas por um juiz no processo em que está indiciado por tráfico de influências e branqueamento de capitais.

Ex-PM espanhol Zapatero diz-se

“Acusam-me de delitos muito graves que nunca cometi”, disse Zapatero, num comunicado divulgado após o final da declaração na Audiência Nacional de Espanha, perante o juiz que tem a instrução do caso em que está a ser investigado.

O antigo primeiro-ministro e ex-líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE) garantiu ter entregado ao juiz documentos que provam a sua inocência e disse que sempre se comportou com “decência e honra” e que tem agora “a tarefa de o demonstrar”.

Zapatero disse ser “completamente inocente” e confiar “plenamente na justiça”, mas que é “doloroso saber que muitas pessoas se podem sentir defraudadas”, por “acreditarem nas coisas que se dizem”.

“Peço-lhes confiança. Não as dececionarei. Levará mais ou menos tempo a demonstrá-lo, mas a verdade abrirá caminho e devolverei a confiança a quem agora duvida”, assegurou ainda.

Fontes judiciais citadas pelos meios de comunicação social espanhóis revelaram que o Ministério Público pediu para ser retirado o passaporte ao ex-primeiro-ministro, que fique proibido de sair de Espanha e seja obrigado a apresentar-se quinzenalmente às autoridades.

Desconhece-se ainda qual é ou será a decisão do juiz em relação a pedidos de medidas cautelares pedidas pelo Ministério Público e pelas “acusações populares”, que integram o Partido Popular (PP, direita), o Vox (extrema-direita) e associações como Faz-te Ouvir (Hazte Oír).

Advogados destas associações, ligadas também à extrema-direita espanhola, defenderam, em declarações aos jornalistas à porta da Audiência Nacional, que Zapatero deveria ficar em prisão preventiva, por haver risco de fuga.

No final da declaração, Zapatero saiu da Audiência Nacional de Espanha e entrou num carro privado, sem ter ficado retido pelo juiz.

Jose Luís Rodriguez Zapatero foi chamado a depor hoje e na quinta-feira perante um juiz no caso em que está indiciado por tráfico de influências e branqueamento de capitais, mas a audiência ficou, à partida, concluída já hoje.

Zapatero foi notificado pelo juiz que tem a instrução da investigação em 18 de maio e o caso foi entretanto alargado a suspeitas de fraude fiscal e contrabando por, durante buscas no escritório do antigo primeiro-ministro, terem sido encontradas num cofre joias avaliadas em 1,3 milhões de euros não declaradas como património.

O político socialista está a ser investigado num processo que foi “aberto para investigar o resgate da companhia aérea Plus Ultra”, em 2021, disse a Audiência Nacional de Espanha, instância central de investigação.

De acordo com o sumário do processo judicial, a que a agência Lusa teve acesso, Zapatero é suspeito de liderar “uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” para obter “benefícios económicos” através de “intermediação e o exercício de influências em instâncias públicas em favor de terceiros, principalmente, a empresa Plus Ultra”.

A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação simulada “para exercer influências ilícitas” e lavar dinheiro, nomeadamente, ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa de que são administradoras e sócias as filhas de Zapatero. 

A Plus Ultra, com ligações à Venezuela, beneficiou em 2021 de um resgate financeiro de 53 milhões de euros, concedidos como empréstimo pelo Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, que na altura criou um fundo de dez mil milhões de euros para resgatar empresas consideradas estratégicas que estavam com dificuldades por causa da pandemia de covid-19.

Primeiro-ministro de Espanha entre abril de 2004 e dezembro de 2011, Zapatero foi um dos grandes apoiantes de Sánchez nas últimas eleições espanholas, em julho de 2023, e chegou a ser classificado pela imprensa como o “grande ativo eleitoral” atual do PSOE.

MP // SCA

By Impala News / Lusa

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