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Entre Brindes O país falhou com Manuela Moura Guedes

Passaram-se anos, mas continua difícil olhar para o percurso de Manuela Moura Guedes sem pensar no quanto ficou por fazer. Muito se fala em liberdade de expressão, até ao momento em que deixa de ser conveniente.

Entre Brindes O país falhou com Manuela Moura Guedes

Há poucas figuras da televisão portuguesa que me despertam tanta sensação de injustiça como Manuela Moura Guedes. Sempre que vejo uma entrevista sua, uma publicação nas redes sociais ou uma notícia sobre o seu percurso, fico inevitavelmente a pensar no quanto o país falhou com ela.

A jornalista construiu uma carreira assente numa postura rara: firmeza, frontalidade e ausência de medo. Num meio tantas vezes condicionado por equilíbrios delicados, interesses e pressões, destacou-se precisamente por não parecer disposta a ceder. E talvez tenha sido esse o seu maior trunfo e, simultaneamente, a sua maior fragilidade.

Há quem continue a olhar para o seu percurso de forma polarizada. Uns viam nela um jornalismo excessivamente agressivo. Outros, uma profissional que cumpria precisamente aquilo que se espera da profissão: questionar o poder, incomodar e expor aquilo que muitos preferiam manter oculto. Muito se fala hoje em liberdade de expressão e independência editorial, mas o caso de Manuela continua a ser frequentemente recordado como exemplo de como estes conceitos, por vezes, esbarram em realidades políticas e institucionais muito menos lineares.

A polémica e mediática suspensão

 

 

A suspensão do Jornal Nacional de Sexta, da TVI, marcou profundamente a perceção pública sobre o seu percurso e consolidou, para muitos, a ideia de que a jornalista pagou um preço demasiado alto pela forma como exercia a profissão. Líder de audiências, nunca conseguiu regressar ao jornalismo televisivo com o mesmo protagonismo. E isso continua a ser difícil de compreender.

Ao longo dos últimos anos, regressou pontualmente ao pequeno ecrã, nomeadamente como comentadora, mas nunca voltou a ocupar o espaço que muitos consideravam ser naturalmente seu. A própria já falou publicamente sobre o impacto emocional profundo que este afastamento teve na sua vida. E não é difícil imaginar o peso que representa ver uma carreira construída ao longo de décadas sofrer uma interrupção tão brusca.

Mais do que concordar ou discordar do seu estilo, parece-me impossível negar uma evidência: Manuela Moura Guedes marcou uma era do jornalismo televisivo português. E talvez seja precisamente por isso que a sensação permanece. A de que o país nem sempre sabe proteger, valorizar ou sequer lidar com figuras verdadeiramente incómodas. Porque goste-se ou não do seu estilo, uma coisa é certa: há profissionais que deixam marca. E Manuela foi, sem dúvida, uma delas.

Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Arquivo Impala

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