Entre Brindes Maria Custódia Amaral: O pior desfecho possível para a filha de Delfina Cruz
Depois de dias de desespero, a família sabe o que aconteceu a Maria Amaral. Porém, com a verdade, chegou também o fim da esperança de que pudesse continuar viva.
Há histórias que parecem saídas de uma novela, mas que infelizmente pertencem à vida real. A que envolve Maria Amaral é uma delas. Depois de vários dias de angústia e incerteza, a Polícia Judiciária confirmou o pior cenário possível: a filha de Delfina Cruz foi assassinada por um homem relativamente próximo.
Até ao momento, não se conhece ao certo a natureza da relação entre ambos, mas custa-me conceber o que poderá levar alguém a matar outra pessoa a sangue-frio, ocultar o corpo, enterrá-lo e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Há algo de profundamente perturbador nesta frieza, nesta capacidade de apagar alguém da existência de forma tão violenta e cruel.
Enquanto jornalista, procuro sempre compreender os porquês, encontrar explicações, enquadrar comportamentos. Mas há crimes que não admitem contexto nem justificação plausível, e este é um deles. É demasiado bárbaro, demasiado desumano tentar racionalizar a mente de quem decide terminar a vida de outro ser humano.
Não consigo sequer imaginar a dor da família perante este desfecho trágico, imprevisível e revoltante, e desejo-lhes os meus sentimentos. No meio de toda a devastação que caiu sobre os mais próximos de Maria, resta apenas a magra consolação de se saber o que realmente lhe aconteceu e de o presumível responsável estar já nas mãos das autoridades.
Casos como este não são exceção. Muitos outros existem, longe dos holofotes mediáticos, e passam-nos ao lado com uma assustadora normalidade. Mas é urgente travar esta banalização da violência, porque sejamos claros: um único caso destes já é um a mais.
Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Redes sociais