Eleitores cabo verdianos dirigem-se a mesas de voto em Lisboa sem filas
Mais de 48.000 eleitores cabo verdianos são hoje chamados a votar pela Europa e Resto do Mundo, círculo que inclui Portugal, numas eleições legislativas que decorrem com tranquilidade, constatou hoje a Lusa.
Durante o final da manhã, a Lusa visitou duas secções de voto: uma numa escola na Amadora, e outra na embaixada de Cabo Verde em Lisboa.
À Lusa, na Escola Básica Orlando Gonçalves, na Amadora, o presidente da mesa de voto Niclas Barbosa falou numa “afluência tranquila”.
“Está tudo a correr como previsto, não estamos a ter nenhum tipo de divergências, está tudo correto”, apontou, sobre a secção que junta quase mil inscritos.
Até pouco depois das 11:30, já tinham votado mais de 100 pessoas e, segundo Niclas Barbosa, que também já tinha participado nas legislativas de 2021, o período da manhã estava a ter uma afluência acima de outras vezes.
Janilson Semedo também foi à escola Orlando Gonçalves, mas como eleitor para fazer “o exercício da cidadania”.
“Votar é um direito de todos e é uma responsabilidade, também, porque todos nós temos uma responsabilidade em tomar uma decisão que será não só nossa, mas para todos, para o futuro. É algo que deve ser tomado com consciência”.
O cabo-verdiano reconheceu que estas eleições legislativas são mais renhidas e assinalou que as pessoas estão “a exigir muito, muito mais” e pedem “melhores condições sociais, económicas e entre todos”.
“Vimos que houve uma saída em massa da população para Portugal e acabam por chegar aqui e vivenciam uma forma de política diferente daquilo que é feito em Cabo Verde, por isso é que as pessoas que estão cá exercem uma influência muito forte sobre as pessoas que estão em Cabo Verde e acabam por exigir sempre mais”, defendeu.
Analídia Borges disse que vota em Portugal “há 20 e tal anos” e, desta vez, não tem dúvidas do que a levou à Embaixada de Cabo Verde em Portugal para votar.
“A mudança. Mudar Cabo Verde para melhor. Tenho lá muita família. É muita delinquência, muita pobreza”, disse, sobre a situação no arquipélago.
Também na embaixada, na zona do Restelo, Vanda Vieira está a apoiar os colegas das mesas de voto. Pelas 13:00 fazia um balanço positivo.
“De manhã estava mais calminho, mas agora está mais afluência e mais pessoas estão a vir cá”, afirmou, naquela que é a primeira vez a trabalhar numas eleições.
Paulete Lima mora em Portugal há 14 anos e tem votado em todas as eleições desde então.
Disse que as pessoas estão “motivadas e sabem o que querem”.
Tanto na escola Orlando Gonçalves como na embaixada os eleitores chegavam de forma ordeira, não havendo filas em nenhum dos locais.
Independentemente do resultado e de nenhum partido alcançar uma maioria absoluta, os entrevistados pela Lusa afastaram uma crise política.
Janilson Semedo disse que “em Cabo Verde dificilmente vai existir” um bloqueio político e Analídia Borges apontou que “nunca houve briga entre os partidos” no país. “Não é agora que vão brigar, não é?”, questionou a cabo-verdiana.
Já Paulete Lima disse acreditar que Cabo Verde é uma democracia “com maturidade suficiente” para uma decisão que vá ao encontro do bem de todos.
As eleições vão decorrer em cerca de mil mesas de voto nas ilhas, onde estarão abertas até às 18:00 (20:00 em Lisboa), enquanto junto da diáspora haverá mais de 200 com horário próprio. Só em Portugal serão 84 mesas.
São chamados às urnas 344.284 inscritos no arquipélago e 72.051 no estrangeiro.
Na sexta-feira, o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou para a participação nas eleições, considerando que “a abstenção fragiliza a democracia”.
Nas legislativas de 2016 a abstenção foi de 34%, crescendo para 42% em 2021, durante um período de restrições devido à pandemia de covid-19.
A ilha de Santiago, que inclui a capital, Praia, elege 33 dos 72 deputados e é a única onde há dois círculos eleitorais.
As restantes oito ilhas (cada uma corresponde a um círculo) elegem outros 33 deputados e os três círculos no estrangeiro escolhem seis deputados.
O Movimento para a Democracia (MpD, no poder desde 2016) e o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) têm alternado na liderança do país, sempre com maiorias absolutas na Assembleia Nacional, desde as primeiras eleições livres, em 1991.
Para estas eleições, os dois partidos apresentaram listas nos 13 círculos eleitorais.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), terceira força parlamentar, concorre em 10 círculos, ficando de fora nas ilhas Brava, do Maio e da Boa Vista.
O Partido Popular (PP) e o partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), sem representação parlamentar, concorrem, cada qual, em seis círculos.
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By Impala News / Lusa