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El Niño pode regressar em 2026 e ameaça novos recordes de calor

Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que o El Niño possa regressar no ainda em 2026. Saiba o impacto esperado em Portugal e no Mundo

El Niño pode regressar em 2026 e ameaça novos recordes de calor

O mundo poderá enfrentar um novo ciclo de temperaturas recorde e fenómenos meteorológicos extremos. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) emitiram alertas sobre a elevada probabilidade de o fenómeno El Niño regressar no decorrer de 2026. Esta mudança surge após um período de influência da La Niña, que tem um efeito de arrefecimento temporário nas águas do Pacífico.

A transição deverá ocorrer de forma gradual nos próximos meses. Até julho de 2026, as previsões apontam para condições de neutralidade, onde nenhum dos fenómenos domina o sistema climático. No entanto, a partir do verão, a probabilidade de formação do El Niño sobe para valores entre os 40% e os 60%. Os especialistas sublinham que este regresso acontece num contexto de aquecimento global já acelerado, o que pode potenciar desastres naturais mais severos.

O que esperar do impacto global do El Niño

O El Niño é conhecido por alterar drasticamente os padrões de precipitação e temperatura em várias regiões do Planeta. Embora cada evento seja único, existem consequências que se repetem historicamente e que preocupam as autoridades internacionais:

– Secas severas e aumento do risco de incêndios na Austrália, no Sudeste Asiático e em partes de África.
– Chuvas intensas e risco de cheias na costa oeste das Américas, especialmente no Peru e no Equador.
– Aumento da temperatura média global, com o potencial de tornar 2026 ou 2027 os anos mais quentes de que há registo.
– Alterações na produtividade agrícola e na segurança alimentar devido à instabilidade do clima.

Os efeitos em Portugal e na Europa

Para Portugal, o impacto direto do El Niño costuma ser menos linear do que no continente americano. Especialistas portugueses referem que o nosso país está geograficamente distante do epicentro do fenómeno no Pacífico, mas não fica imune às suas consequências indiretas. Historicamente, anos de El Niño podem estar associados a invernos ligeiramente mais chuvosos ou a verões com ondas de calor mais persistentes, embora outros fatores, como o Anticiclone dos Açores, joguem um papel mais determinante na nossa meteorologia local.

Ainda assim, a principal preocupação para o território nacional prende-se com o agravamento da tendência de aquecimento a longo prazo. O reforço do calor global pode traduzir-se num desconforto térmico mais acentuado e numa maior pressão sobre os recursos hídricos, mesmo que a influência direta do fenómeno seja considerada moderada.

O peso do passado

O evento de 2023-2024 foi um dos cinco mais fortes alguma vez registados, contribuindo decisivamente para que 2024 atingisse temperaturas sem precedentes. Anteriormente, o ano de 2016 também bateu recordes devido a uma combinação poderosa de El Niño e alterações climáticas provocadas pela atividade humana.

A comunidade científica utiliza agora novos métodos de monitorização, como o Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI), para tentar prever com maior exatidão a intensidade destes fenómenos. O objetivo é permitir que os governos e as agências humanitárias se preparem antecipadamente para minimizar os danos socioeconómicos que estas variações climáticas costumam provocar.

Luís Martins; WiN

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