Como participar no estudo inédito que avalia prevenção e deteção de fraude em Portugal
Saiba como a fraude está a ser combatida em Portugal. Participe no estudo nacional da OCC e FEP e conheça os riscos financeiros de 2026.
A fraude financeira e fiscal consolidou-se, em 2026, como uma das patologias mais graves da economia portuguesa. Num cenário de digitalização total, as ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a ser utilizadas para sofisticar crimes económicos, obrigando as autoridades a uma reavaliação urgente dos métodos de proteção. Para quantificar este fenómeno e identificar onde as defesas estão a falhar, a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e a Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) estão a levar a cabo um inquérito nacional que pretende separar a realidade dos factos das narrativas institucionais.
O fosso entre quem faz e quem fiscaliza
A investigação, liderada por Erika Pintos (FEP), foca-se numa análise técnica das funções dos Contabilistas Certificados (CC) e dos Revisores Oficiais de Contas (ROC). Estes dois grupos constituem a linha de frente da integridade financeira, mas nem sempre operam com a mesma visão sobre o risco. A eficácia de uma auditoria é ditada pela integridade da base contabilística; quando existe uma quebra na comunicação ou na interpretação dos dados entre quem prepara e quem valida as contas, surgem brechas que facilitam a fraude.
A contabilidade forense surge como peça central do estudo. A disciplina, que se afasta do mero registo administrativo para se concentrar na investigação de fluxos de capital anómalos, é apresentada como a resposta necessária às técnicas de phishing e smishing que, segundo a OCDE, continuam a fustigar o sistema bancário e os contribuintes nacionais.
Supervisão reforça malha apertada contra o crime digital
A preocupação com a transparência já saiu das academias e entrou nos gabinetes de decisão. Para 2026, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) estabeleceu diretrizes rígidas, priorizando o combate à fraude financeira digital e a proteção direta do investidor.
- • Implementação de sistemas de monitorização em tempo real para travar burlas no mercado de capitais.
- • Reforço da cooperação internacional para prevenir a evasão fiscal e a fuga de capitais através de jurisdições opacas.
- • Combate intransigente a crimes de insolvência dolosa, responsáveis por drenar centenas de milhares de euros anualmente.
Ética humana como último reduto
Embora a tecnologia forneça as ferramentas de deteção, o inquérito da OCC e da FEP sublinha que a componente humana permanece determinante. A ética profissional dos contabilistas é, muitas vezes, a única barreira contra a pressão externa para a manipulação de resultados. Para o cidadão comum, este estudo é um indicador de saúde económica: a fraude tem consequências práticas na carga fiscal suportada pelas famílias e na subida de preços de bens essenciais.
O inquérito, atualmente a decorrer no portal oficial da OCC, apela à participação ativa dos profissionais para mapear se os atuais mecanismos de defesa são suficientes ou se a legislação necessita de uma reforma profunda para enfrentar a sofisticação criminosa de 2026. A meta é clara: garantir que a confiança no sistema financeiro não seja apenas uma formalidade, mas uma garantia sustentada em evidências.