Deco acusa seguradoras de pressão para compensações baixas mas setor rejeita críticas

A Deco acusou hoje as seguradoras de práticas abusivas na resposta ao mau tempo, com casos de pressão para os clientes aceitarem compensações reduzidas, crítica que as empresas rejeitam, recusando haver um problema geral na regularização de sinistros.

Deco acusa seguradoras de pressão para compensações baixas mas setor rejeita críticas

Num comunicado divulgado hoje, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) diz estar a receber reclamações de consumidores “que, apesar de terem seguros multirrisco habitação com cobertura de tempestades, enfrentam atrasos injustificados, falta de transparência e recusa em assumir o pagamento da indemnização”.

A associação considera estarem em causa “graves falhas e práticas potencialmente abusivas”, e afirma que entre os principais problemas identificados se destacam “a demora excessiva na realização de peritagens, a não disponibilização dos respetivos relatórios, a opacidade no cálculo das indemnizações e a proposta de valores manifestamente insuficientes para a reparação integral dos danos”.

Em muitos casos, diz a Deco, “os consumidores são pressionados a aceitar compensações reduzidas, em nome de uma alegada celeridade processual, sacrificando os seus direitos”.

O problema, acrescenta, é mais gravoso “nos edifícios em propriedade horizontal, onde a intervenção de múltiplas seguradoras e a ausência de regras claras para a gestão de sinistros conjuntos estão a bloquear a resolução dos processos e a deixar consumidores desprotegidos”.

Confrontada pela Lusa com as críticas da Deco, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) garante que as empresas do setor “adotaram, de forma transversal, uma postura de proximidade e apoio aos seus clientes, procurando agilizar os processos de regularização de sinistros, sem, contudo, comprometer o rigor e o respeito pelas condições contratuais”.

Até agora, as seguradoras receberam “quase 200 mil participações de sinistros, das quais cerca de 124 mil já se encontram resolvidas” e, “num universo tão alargado de sinistros, é natural que possam ocorrer situações pontuais de insatisfação por parte de alguns segurados”, admite a associação.

Ainda assim, diz, “na generalidade dos casos” a APS não tem conhecimento de “problemas na regularização de sinistros, nem, muito menos, de ‘falhas graves ou práticas potencialmente abusivas'”, como alegou a Deco.

A APS garante ainda que, nos casos em que os clientes discordam, “as seguradoras dispõem de serviços próprios para o tratamento de reclamações, bem como de provedores do cliente, para os quais as reclamações podem e devem ser encaminhadas”.

Portugal foi atingido por um comboio de tempestades no início do ano.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metades das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, sobretudo nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos superiores a cinco mil milhões de euros.

O Governo recebeu entretanto cerca de 35.900 candidaturas para apoios à reconstrução de habitações e a Estrutura de Missão designada para a recuperação estimou entre 35 mil e 40 mil o número de empresas com danos nas zonas mais atingidas. Três meses após o início das tempestades, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações.

PCT // CSJ

By Impala News / Lusa

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