É vital para o sucesso económico de Macau manter Estado de direito – UE
O representante da União Europeia em Hong Kong e Macau, Harvey Rouse, declarou hoje que é vital para o sucesso económico de Macau “manter uma sociedade aberta, vibrante, e assente no Estado de direito”.
Num evento de celebração do Dia da Europa no território, Rouse sublinhou a importância das relações económicas entre os dois lados.
“No ano passado, a União Europeia (UE) foi o segundo maior parceiro comercial de Macau, responsável por cerca de 26% de todas as trocas, apenas atrás da China continental, com 29%. Somos também a terceira maior fonte de investimento direto estrangeiro, depois de Hong Kong e da China”, descreveu.
O comércio de mercadorias entre a UE e Macau atingiu um valor de 36,04 mil milhões de patacas (3,8 mil milhões de euros) em 2025.
No caso de Hong Kong, o comércio bilateral de mercadorias atingiu 55,7 mil milhões de euros no mesmo ano, com o bloco económico a assumir-se como o 6.º maior parceiro comercial de Hong Kong.
Rouse recordou as visitas do chefe do Executivo de Macau, Sam Hou Fai, a Portugal, Espanha e Bélgica em abril, destacando que nos “encontros em Bruxelas, ambas as partes concordaram na importância de promover e reforçar os (…) laços económicos”.
“Manter uma sociedade aberta e vibrante, assente no Estado de direito, é vital para uma economia diversificada e inovadora, e também crucial para sustentar o sucesso económico e reforçar o papel de Macau como conector global”, declarou Rouse.
No seu relatório anual sobre Macau em 2025, a UE expressou preocupação com a erosão da autonomia, das liberdades fundamentais e do pluralismo político na Região Administrativa Especial de Macau.
A instituição criticou especificamente a revisão das leis eleitorais que avalia o “patriotismo” dos candidatos.
O Governo de Macau contestou as avaliações da UE, considerando-as tendenciosas e uma intromissão nos assuntos internos, e garantiu que os direitos dos residentes continuam plenamente salvaguardados pela Lei Básica, a mini-constituição do território.
Referindo-se à prioridade do chefe do Executivo de Macau de diversificar a economia da cidade chinesa semi-autónoma, fortemente dependente da indústria do jogo, Rouse afirmou que as “empresas europeias estão excelentemente posicionadas e comprometidas em contribuir para essa diversificação”.
“Queremos também cooperar com Macau no desenvolvimento verde e na sustentabilidade. Partilhamos a meta de 2050 para alcançar a neutralidade carbónica”, sublinhou.
No plano académico e cultural, o representante europeu destacou o programa de apoio à educação e formação Erasmus+, acrescentando que a UE quer “atrair mais estudantes de Macau para universidades europeias, seja em intercâmbio ou em programas de licenciatura”.
A UE está atualmente a discutir possíveis medidas para combater uma alegada sobrecapacidade industrial chinesa, medidas que poderão agravar as tensões comerciais entre as duas partes.
Um meio estatal chinês avisou que Pequim poderá avançar com contramedidas se Bruxelas avançar com represálias, incluindo abrir investigações “antidiscriminação” ou relacionadas com a segurança das cadeias de abastecimento contra medidas europeias.
Sem referir as discussões em Bruxelas ou a guerra no Médio Oriente, no que toca a “desafios globais”, Rouse escolheu condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia, classificando-a de “brutal, não provocada e ilegal” e uma “violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do princípio de que as fronteiras não podem ser alteradas pela força”.
O representante da UE sublinhou que não se trata apenas de uma questão de segurança europeia, mas de “estabilidade global”, destacando que o bloco europeu é “o maior apoiante da Ucrânia” e que “lidera as sanções destinadas a enfraquecer a máquina de guerra russa”.
“Não se pode escolher seletivamente quais as normas internacionais a respeitar. Se aceitarmos que a força substitui o direito internacional, todos ficamos em perigo”, apontou.
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By Impala News / Lusa