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Diretor defende estudo de Português na Universidade de Macau “mais internacional”

De saída da Universidade de Macau, João Veloso defendeu hoje à Lusa uma maior internacionalização do Departamento de Português, que pode passar pelo contacto com países que não são de língua portuguesa mas com “investigação de ponta”.

Diretor defende estudo de Português na Universidade de Macau

João Veloso chegou a Macau em 2022 para dirigir o Departamento de Português da Faculdade de Letras da Universidade de Macau (UM), cargo que deixa agora no final deste ano letivo “por motivos pessoais”.

À agência Lusa, o responsável considerou que o futuro do departamento deve passar por uma aposta mais firme na internacionalização, até em regiões fora do circuito tradicional dos países de língua portuguesa.

O departamento que dirige conta neste momento com cerca de 20 alunos internacionais, sendo a maioria dos cerca de 400 estudantes oriundos de Macau e do interior da China.

Seria “muito interessante” trazer alunos de outras geografias, como Tailândia, Coreia do Sul ou Vietname, declarou Veloso. Mas admite: “sabemos que estudar em Macau é caro, os alunos que vêm normalmente são alunos que estão dependentes de uma bolsa e o número de bolsas é limitado”.

No entanto, Veloso aponta para o outro lado do mundo, onde “alunos de países que não são de língua portuguesa querem estudar Linguística do português ou Literatura em português”.

“Os estudos sobre o português são uma área de estudos muito importante na academia internacional. Se nós formos ao Canadá, aos Estados Unidos, à França ou à Alemanha, há muitas pessoas que não são falantes nativas do português e que estão ali a fazer ensino e investigação de ponta na área da linguística,” disse.

E Macau tem-se esquecido deste vetor, constatou o responsável, notando que no território persiste “a ideia de que o português é algo que interessa sobretudo aos falantes nativos da língua – portugueses, brasileiros, angolanos, moçambicanos – [e] aos alunos das universidades da China”, onde “o português tem uma projeção muito grande”.

Nos cursos de verão, porém, “houve avanços”, com a presença de estudantes da Austrália e de países asiáticos, em parte devido à promoção do “curso em circuitos que não são os mais habituais”.

Ainda no que diz respeito à internacionalização, o responsável considera que a aposta em línguas estrangeiras por parte da Universidade de Macau continua “pouco diversificada”.

“Há uma visão um bocadinho fechada do ensino de línguas estrangeiras em Macau”, observou à Lusa, notando que a UM tem potencial para ensinar línguas asiáticas.

A Faculdade de Letras não tem departamentos específicos para o ensino de línguas como espanhol, alemão, italiano, russo ou francês, tendo o Departamento de Português, por exemplo, duas disciplinas opcionais de espanhol.

Veloso interpreta esta opção com a preocupação que a instituição de ensino superior tem “com a qualidade e a presença nos ‘rankings'”, o que “implica direcionar muitos recursos para áreas específicas”.

O Departamento de Português da UM conta hoje com mais de 30 docentes, incluindo aqueles que trabalham a tempo parcial, e cerca de 400 alunos.

Os cursos deste departamento chegam, no entanto, a mais de mil alunos em toda a UM, incluindo alunos da faculdade de Direito e outros que frequentam as disciplinas de língua oferecidas transversalmente em todos os cursos da instituição de ensino superior.

CAD // JMC

By Impala News / Lusa

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