Cuba critica Parlamento Europeu por se aliar aos EUA e justificar bloqueio energético

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano criticou hoje o Parlamento Europeu por se aliar aos Estados Unidos (EUA) para justificar o bloqueio energético à ilha, após ter aprovado uma resolução a condenar a “repressão sistemática” perpetrada por Havana.

Cuba critica Parlamento Europeu por se aliar aos EUA e justificar bloqueio energético

“As forças políticas de direita no Parlamento Europeu preferem aderir à narrativa mentirosa dos Estados Unidos, concebida para justificar o cerco energético, a guerra económica extrema e a ameaça militar do Governo dos Estados Unidos contra o povo de Cuba”, escreveu Bruno Rodríguez nas redes sociais.

Em causa está uma resolução do hemiciclo europeu aprovada na quinta-feira com 283 votos a favor, 199 contra e 85 abstenções, em que os eurodeputados afirmam que após 50 anos de “regime Comunista” Cuba “está perto de se tornar um Estado falhado”.

A expressão “Estado falhado” tem sido muitas vezes utilizada pela administração do Presidente norte-americano Donald Trump para descrever a ilha caribenha, que tem sido alvo de novas sanções por parte de Washington mas também de recorrentes ameaças de uma intervenção militar para consumar uma mudança de regime.

Os eurodeputados salientam na resolução que a atual emergência humanitária na ilha, onde “89% das famílias vivem em pobreza extrema, não é fruto de qualquer embargo externo, mas sim a consequência direta do próprio modelo e dos fracassos do regime”.

Perante tal posição, o chefe da diplomacia cubana afirmou que os países europeus sucumbiram à “ingerência e às pressões” por parte de Washington contra as suas empresas e cidadãos, em vez de “invocarem a soberania, a jurisdição e os interesses europeus”.

Para Rodríguez, essa omissão “viola as próprias leis e regulamentos comunitários e nacionais”, adotadas em 22 de novembro de 1996, que “protege contra os efeitos da aplicação extraterritorial da legislação adotada por um país terceiro e das ações baseadas ou decorrentes da mesma”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros cubano afirmou que não está surpreendido com a posição do Parlamento Europeu, uma vez que este tem mantido silêncio e demonstrado cumplicidade face ao “genocídio israelita” cometido na Faixa de Gaza.

“Cuba continuará a apostar na implementação do Acordo de Diálogo Político e Cooperação com a União Europeia, mecanismo que permite abordar as questões de interesse comum e as divergências, com base na igualdade, na reciprocidade e no respeito mútuo”, indicou ainda.

A resolução do Parlamento Europeu apela ainda à libertação de todos os presos políticos, sublinhando que no final de maio de 2026, Havana detinha um “número recorde de 1.281 presos políticos, incluindo menores”.

“Os eurodeputados exigem a libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos e de todas as pessoas detidas arbitrariamente por exercerem os seus direitos fundamentais, incluindo menores, o fim da tortura e dos maus-tratos, bem como a reparação integral das vítimas de tortura”, prossegue o texto.

A resolução recomenda ainda a União Europeia a suspender todo o diálogo político e o acordo de cooperação com Havana até que sejam tomados a curto prazo passos claros em direção a uma transição democrática.

Os eurodeputados pedem igualmente no texto que a Comissão Europeia e os 27 do bloco europeu que “criem canais humanitários para o fornecimento direto de energia, alimentos e medicamentos ao povo cubano, e insta todos os doadores a intensificarem a ajuda humanitária”.

Perante as pressões de Washington, o parlamento cubano aprovou na quinta-feira, por unanimidade, um extenso programa de reformas a favor da economia de mercado, marcando uma viragem histórica para a ilha.

Os EUA não escondem o desejo de ver uma mudança de modelo económico, ou mesmo de regime, na ilha situada a cerca de 150 quilómetros da costa do estado norte-americano da Florida.

“Se tomarem decisões inteligentes, teremos uma relação muito melhor com esta ilha”, afirmou o vice-presidente norte-americano, JD Vance, quando questionado na Casa Branca sobre uma possível intervenção militar em Cuba, após a assinatura, na quarta-feira, de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão.

 

TAB (APL) // SCA

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share