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Portugueses são os que mais se esforçam para pagar medicamentos e acesso continua em risco

Um novo estudo revela que os portugueses são os que mais se esforçam financeiramente para comprar medicamentos. Descubra as causas e o impacto no SNS.

Portugueses são os que mais se esforçam para pagar medicamentos e acesso continua em risco

O direito à Saúde em Portugal enfrenta um novo e alarmante diagnóstico. Dados recentes revelam que as famílias portuguesas são as que maior esforço financeiro fazem para aceder a fármacos entre os países de referência. A esta pressão na carteira soma-se um entrave burocrático e económico: cerca de um terço dos medicamentos aprovados na Europa demora anos a chegar ao mercado nacional ou simplesmente nunca chega a estar disponível para os doentes.

O peso no bolso: Portugueses no topo do esforço financeiro

Segundo o índice de equidade no acesso ao medicamento da EQUALMED, elaborado pela IQVIA, o nível de equidade em Portugal situa-se em apenas 52%. Isto coloca o País atrás de vizinhos como Espanha, Itália e França. O gasto médio por cidadão ronda os 148 euros anuais, mas o problema reside no baixo poder de compra: a percentagem do rendimento familiar destinada à Saúde é superior à média europeia, tornando Portugal no país onde o esforço para manter a medicação em dia é mais penoso.

A barreira do mercado: Os novos fármacos não chegam às farmácias porquê?

Não é apenas o preço que preocupa. Um estudo recente aponta que 33% dos medicamentos com autorização de introdução no mercado (AIM) pela agência europeia de medicamentos não estão acessíveis no sistema nacional de saúde (SNS). As razões prendem-se com negociações prolongadas de preço entre o Estado e a indústria farmacêutica, além da falta de sustentabilidade orçamental que leva muitas empresas a não comercializarem produtos inovadores em solo luso.

Casos semelhantes e o impacto no dia a dia

Esta não é uma crise isolada. O cenário de ruturas de stock tem sido constante, afetando especialmente doentes com diabetes e doenças do sistema nervoso central. Em 2024, mais de metade das farmácias portuguesas reportaram faltas graves de medicamentos essenciais. O atraso na inovação tem um custo humano real: estima-se que mais de 1.500 mortes por patologias tratáveis poderiam ter sido evitadas se Portugal tivesse índices de acesso semelhantes aos de França.

Apesar dos esforços recentes do Infarmed, que em 2025 autorizou um número recorde de genéricos para tentar aliviar os custos, a barreira nos medicamentos inovadores (especialmente para oncologia e doenças raras) continua a ser o maior desafio da saúde pública nacional.

Luís Martins; WiN

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