Cientistas do CERN levam antiprotões a ‘dar uma volta’ bem-sucedida
A Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN), maior laboratório mundial de Física de partículas, considerou hoje um sucesso a sua experiência inédita de transportar 100 antiprotões num camião por cerca de quatro horas.
Se aquela denominada antimatéria entrasse em contacto com a matéria real, mesmo que só por uma fração de segundo, seria aniquilada num clarão de energia, segundo a CERN, criada em 1954 e que tem 23 estados-membros, incluindo Portugal, que aderiu em 1986.
Os antiprotões foram suspensos em vácuo, dentro de uma caixa especialmente projetada para o efeito, e mantidos estáveis através de ímanes superarrefecidos.
Os cientistas transportaram então a antimatéria num percurso de meia hora para testar como — e se — aquelas partículas podiam vir a ser transportadas por estrada sem haver qualquer derrame ou outro incidente.
A porta-voz da CERN, Sophie Tesauri, considerou a experiência um sucesso, mas não foi revelada a quantidade de antiprotões intactos nas respetivas viagens.
O teste foi um primeiro passo para concretizar o plano de entrega de antiprotões da CERN a outros investigadores da Universidade Heinrich Heine, em Düsseldorf, Alemanha, a cerca de oito horas de distância por estrada.
Estes antiprotões estavam numa caixa de uma tonelada chamada “gaiola transportável”, com ímanes supercondutores, à temperatura de 269 graus Celsius negativos, para que a antimatéria se mantivesse suspensa – sem tocar as paredes internas, que são feitas de matéria.
A massa da experiência – um pouco menor que cerca de 100 átomos de hidrogénio — é tão pequena, segundo os peritos, que o pior resultado possível seria a perda dos antiprotões.
Mesmo que entrassem em contacto com matéria, qualquer liberação de energia seria impercetível ao olho humano e só um osciloscópio, que capta sinais elétricos, conseguiria detetar o fenómeno.
A CERN, sedeada em Genebra, tem como grande feito o grande colisor de hadrões, um túnel acelerador de partículas com 27 quilómetros de extensão, 100 metros abaixo da superfície, entre a França e a Suíça.
Além das experiências mais abstratas, foi também na CERN que o britânico Tim Berners-Lee concebeu e desenvolveu a World Wide Web, em 1989, dando lugar à revolução digital que se seguiu.
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By Impala News / Lusa