Chef Rui Paula Fala dos colaboradores nepaleses que trabalham nas suas cozinhas
Após a polémica em torno das suas palavras sobre a falta de mão de obra nacional para trabalhar na restauração, o chef garante à NOVA GENTE que todos os estrangeiros da sua equipa estão legais, não trabalham mais do que oito horas por dia e recebem acima do ordenado mínimo.
Depois da entrevista que deu a Vítor Gonçalves, na RTP1, na qual referiu a dificuldade em encontrar mão de obra nacional para trabalhar nos seus restaurantes, o chef Rui Paula abriu o coração à NOVA GENTE e falou abertamente sobre a crescente presença de trabalhadores estrangeiros nas suas cozinhas. Numa conversa franca, sem filtros, o conhecido chef garantiu que, apesar das dificuldades do setor, há valores dos quais nunca abdica: dignidade, justiça e igualdade para todos os que vestem a camisola dos seus espaços.
Com uma carreira de três décadas, Rui Paula não tem dúvidas: os tempos mudaram e muito. “Hoje não sou só eu. Se perguntarmos em vários restaurantes quem está na copa, a resposta é quase sempre a mesma: estrangeiros”, começou por explicar. Apesar disso, fez questão de sublinhar que não se trata de exclusão: “Não digo que não haja portugueses, mas nos meus espaços, neste momento, não tenho.”
Num setor historicamente marcado por horários exigentes, o chef garante que essa realidade já não faz parte da sua filosofia. “Aqui ninguém trabalha 12 ou 14 horas. Isso não existe. Trabalham oito horas e recebem acima do ordenado mínimo”, afirmou. E se há diferenças salariais entre funções, há também princípios que não se negoceiam: “O copeiro não ganha como um chef, claro. Mas há respeito e justiça.”
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“O copeiro recebe a mesma gorjeta que o chef de cozinha”
Um dos aspetos mais surpreendentes da sua gestão prende-se com o apoio direto aos colaboradores estrangeiros. Rui Paula revela que oferece habitação aos trabalhadores vindos de fora, nomeadamente nepaleses, que fazem parte da sua equipa. “Dou-lhes casa para viverem dignamente. Só pagam água e luz. A casa é dada por nós”, contou. Uma medida que, garantiu, faz toda a diferença na integração e bem-estar.
E não poupa elogios: “Temos alguns nepaleses e são impecáveis. Só tenho a dizer bem deles.” Explica ainda que muitos chegam através de redes de contactos já estabelecidas, o que facilita a adaptação. “Todos os que tenho estão legalizados, alguns já cá estão há anos. São trabalhadores exemplares”, acrescenta.
Ainda assim, faz questão de frisar que a sua equipa continua a ser maioritariamente portuguesa: “Num universo de 105 pessoas, 85 são portugueses.” A nacionalidade não é critério, o que importa é a atitude. “Na minha empresa entram pessoas válidas, sejam de onde forem. Há igualdade para todos.” E dá exemplos concretos: “O copeiro recebe a mesma gorjeta que o chef de cozinha.”
Apesar da diversidade cultural, Rui Paula assegura que a identidade da sua cozinha permanece intacta. “A nossa comida tem muito ADN. Tenho muitos anos de carreira.” Ainda assim, há espaço para pequenos apontamentos internacionais: “Às vezes, faço um prato de caril para eles, e sei que em casa deles isso é tradição.”
Texto: Andreia Valente; Fotos: Impala