Cáritas de Angola lança campanha para apoiar refugiados da RDCongo

A Cáritas de Angola deu início a uma campanha de recolha de donativos para apoio aos milhares de refugiados da República Democrática do Congo que continuam a chegar ao país à procura de segurança.

Cáritas de Angola lança campanha para apoiar refugiados da RDCongo

Luanda, 16 mai (Lusa) – A Cáritas de Angola deu início a uma campanha de recolha de donativos para apoio aos milhares de refugiados da República Democrática do Congo (RDCongo) que continuam a chegar ao país à procura de segurança.


Em declarações hoje à agência Lusa, o diretor-geral da Cáritas de Angola, Eusébio Amarante, referiu que a campanha foi oficialmente lançada esta segunda-feira, mas em algumas províncias já tinha sido iniciada a recolha.


Segundo Eusébio Amarante, a Cáritas, em colaboração com a Comissão Episcopal para os Imigrantes e Itinerantes da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), vai levar esta campanha até ao final do mês de maio, mas poderá ser prorrogada em caso de necessidade.


Eusébio Amarante referiu que a Cáritas respondeu a um apelo feito pelo Governo angolano, mais concretamente pela direção provincial do Ministério da Assistência e Reinserção Social na Lunda Norte.


O pedido de socorro vem igualmente do bispo da diocese da Lunda Norte, Estanislau Chindekasse, que descreve como “mal” a situação dos refugiados congoleses.


“Os relatos que recebemos da situação é que está mal, significa que as pessoas continuam a chegar. Tem muita gente que se encontra nas matas em transição das suas zonas conflituosas para as zonas do nosso país e tem muita fome, muitos feridos, doentes, crianças, não só as que vêm acompanhadas pelos pais, mas aquelas que fugiram e agora estão sozinhas no meio do mato e tem também velhos que estão isolados”, descreveu Eusébio Amarante.


O responsável disse que estão a solicitar doações de produtos não perecíveis, vestuário, enxadas, chapas para a construção de abrigo e medicamentos.


“Estamos a pedir tudo o que não é perecível, roupa, os que estão a vir, estão a vir a correr, de mãos a abanar, vai começar agora o frio, cobertores, comida, chapas, enxadas, medicamentos, coisas de premente necessidade estamos a receber”, apontou.


Acrescentou que as províncias de Luanda, Uíge e Bengo se sensibilizaram desde os primeiros momentos com a chegada dos refugiados, o que “é um bom indicador no sentido de solidariedade para com as pessoas que de facto se reconhece estarem a passar muito mal”.


Em causa estão conflitos étnico-políticos no Kasai e Kasai Central, na RDCongo, que desde meados de 2016, já provocaram, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), um milhão de deslocados.


Mais de 20.000 refugiados entraram na província da Lunda Norte só desde abril.


O Governo de Angola lançou na semana passada um veemente apelo as autoridades da RDCongo e a todas forças políticas desse país, para cessarem “imediatamente a violência e a prática de atos de extremismo e de intolerância política”, exortando que enveredem “pela via do diálogo sério e construtivo, que propicie o retorno da paz e da estabilidade ao país”.


Segundo o Governo angolano a situação de violência no país vizinho tem causado preocupação, porque tem provocado “uma entrada maciça de refugiados em território angolano, exigindo do Governo um esforço suplementar em termos financeiros, logísticos, de segurança e ordem pública, por forma a acudir às necessidades humanitárias mais prementes das pessoas referidas, cujo número não para de aumentar”.



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By Impala News / Lusa

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