Brasil quer cooperar com Moçambique na gestão de desastres naturais

O Brasil quer cooperar com Moçambique na gestão de riscos e desastres naturais, através de um mecanismo inédito em África, que inclui uma proposta formal já entregue ao Governo moçambicano para criar um quadro jurídico de cooperação bilateral.

Brasil quer cooperar com Moçambique na gestão de desastres naturais

A intenção foi anunciada, em Maputo, pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Ruy Pereira, após uma audiência com a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, no quadro da implementação do Programa de Cooperação para o Desenvolvimento Integrado de Moçambique (PCDI), acordado pelos Presidentes Daniel Chapo e Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nós estamos aqui entregando hoje à ministra e ao ministério uma proposta de ajustes complementares feita pelo Brasil para que nós possamos ter entendimentos na área de gestão de riscos e desastres”, declarou Ruy Pereira, apontando esta área como uma das novas frentes de cooperação entre os dois países.

Segundo o responsável, a proposta surge na sequência da experiência acumulada pelos dois países em resposta a eventos extremos, incluindo os ciclones Idai e Kenneth, que atingiram Moçambique em 2019, e os desastres climáticos recentes registados no Brasil, como as cheias no Rio Grande do Sul e a seca na Amazónia.

“O exemplo dos ciclones Idai e Kenneth, lá em 2019, que nos levou a fazer a primeira missão de assistência humanitária multidisciplinar brasileira no exterior, nós nunca tínhamos feito”, afirmou o embaixador, defendendo que a cooperação nesta área ganhou maior urgência perante o agravamento dos impactos das alterações climáticas.

Ruy Pereira adiantou que Brasília espera formalizar, em breve, um ajuste complementar com Moçambique, destinado a enquadrar juridicamente a cooperação bilateral na área de gestão de riscos e desastres, envolvendo apoio técnico e institucional entre os dois países.

“Esperamos poder, em pouco tempo, assinar esse ajuste complementar para estabelecer, efetivamente, um marco jurídico adequado para a cooperação entre nossos dois países em termos de gestão de riscos e desastres”, afirmou, acrescentando que “será o primeiro mecanismo dessa natureza com um país africano”.

Além da área de desastres, o PCDI já integra sete iniciativas prioritárias acordadas pelos dois chefes de Estado, distribuídas pelos setores da agricultura, saúde, educação e formação técnico-profissional, apoio ao empreendedorismo e pequenas e médias empresas, bem como pela cooperação para a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique, processo em que o Brasil prevê envolver o Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES).

O diretor da ABC adiantou ainda que Moçambique está entre os principais parceiros africanos do Brasil em matéria de cooperação para o desenvolvimento sustentável, num quadro que envolve atualmente 42 iniciativas em implementação, e defendeu que o PCDI deverá funcionar como instrumento permanente para dar “maior organicidade, coordenação, coerência e velocidade” à cooperação bilateral.

Em 19 de março, o Governo moçambicano anunciou o apoio técnico e institucional do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil à criação do futuro Banco de Desenvolvimento de Moçambique, no âmbito da cooperação económica entre os dois países, durante uma visita da ministra moçambicana das Finanças a Brasília.

EYMZ (PVJ) // MLL

By Impala News / Lusa

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