Autoridades iranianas afirmam que o Líbano será o principal tema discutido com os EUA
O Irão declarou que a situação no Líbano, onde o Exército israelita combate o grupo xiita libanês Hezbollah, será o principal tema das conversações hoje com os Estados Unidos realizadas na Suíça.
“O regime sionista (Israel) continua a violar os seus compromissos no Líbano. Esta questão será o principal tema das discussões de hoje”, afirmou hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai.
“A cessação das hostilidades no Líbano é crucial” para o Irão, insistiu o porta-voz, referindo, no entanto, que “uma trégua frágil está em vigor desde ontem [sábado]”.
Baghai acrescentou que a questão do desbloqueio dos ativos iranianos e das vendas de petróleo também seria abordada, num vídeo divulgado pela agência de notícias oficial IRNA.
As conversações entre o Irão e os Estados Unidos na Suíça, mediadas pelo Paquistão e pelo Qatar, durarão um dia, especificou.
O Irão tem reuniões agendadas com os mediadores hoje pela manhã, seguidas de discussões quadrilaterais à tarde com os mediadores e os Estados Unidos.
O Irão e os Estados Unidos assinaram na quarta-feira um memorando de entendimento com o objetivo de alcançar uma paz duradoura no Médio Oriente, mas o acordo, que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo no Líbano, foi prejudicado por ataques aéreos israelitas e confrontos na sexta-feira e no sábado, com Israel e o Hezbollah a acusarem-se mutuamente de violações do cessar-fogo.
O exército israelita anunciou no sábado à noite que estava a encerrar as suas operações “proativas” no país, um dia depois de os EUA terem anunciado um novo cessar-fogo, uma vez que o anterior, em vigor desde 17 de abril, nunca tinha sido respeitado.
O Irão considera os ataques israelitas no Líbano uma violação de uma cláusula do tratado e da responsabilidade dos Estados Unidos.
Em retaliação, as forças armadas iranianas anunciaram no sábado que estavam a “encerrar” novamente o Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial por onde transitavam cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra iniciada em fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos.
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou que os Estados Unidos vão aprovar a libertação imediata de seis mil milhões de dólares [aproximadamente 5,2 mil milhões de euros] em ativos iranianos congelados no Qatar, após o início das negociações com os EUA hoje na cidade suíça de Bürgenstock.
“Com o início das negociações, os seis mil milhões de dólares que temos no Qatar serão libertados”, declarou Pezeshkian na abertura da 33ª Conferência sobre Políticas Monetárias e Bancárias, em Teerão.
O Presidente iraniano afirmou ainda que o Irão não abdicará do seu “direito de enriquecer urânio”.
“Nunca abdicaremos disso, e o outro lado será forçado a aceitar”, acrescentou, referindo-se aos Estados Unidos, durante o seu discurso, transmitido pela emissora estatal iraniana IRIB.
Pezeshkian afirmou ainda que o Irão nunca procurou adquirir uma arma nuclear.
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By Impala News / Lusa