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Crise na Educação: Um em cada seis jovens no mundo está fora da escola

Saiba por que a UNESCO educação alerta para os 273 milhões de jovens fora da escola e o impacto de 10 biliões de dólares na economia global.

Crise na Educação: Um em cada seis jovens no mundo está fora da escola

O progresso global na educação está perigosamente estagnado. Segundo o mais recente relatório da UNESCO, o número de crianças e jovens sem acesso à escola subiu para 273 milhões. Este valor reflete uma realidade amarga: uma em cada seis crianças em idade escolar está excluída do sistema de ensino.

A meta da Organização das Nações Unidas de garantir o ensino secundário universal até 2030 parece, agora, um objetivo quase inalcançável. O cenário agravou-se com o crescimento populacional, crises humanitárias e cortes orçamentais severos em diversos países.

Radiografia da exclusão escolar em 2026

Os dados revelados pela UNESCO e pela UNICEF Portugal traçam um perfil detalhado da crise atual. O aumento do número de crianças fora da escola ocorre pelo sétimo ano consecutivo.

  • • Total global: 273 milhões de crianças e jovens estão fora das salas de aula.
  • • Distribuição por níveis: 79 milhões pertencem ao ensino primário, 64 milhões ao ensino preparatório e 130 milhões ao ensino secundário.
  • • Disparidade de género: Atualmente, existem mais rapazes (140 milhões) do que raparigas (133 milhões) fora da escola a nível global, embora em certas regiões, como a África Subsariana, as raparigas continuem a ser as mais afetadas. (https://www.new.impala.pt/noticias/mundo/)
  • • Zonas de conflito: Mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por guerras, o que agrava exponencialmente o risco de abandono escolar.

Custo da inação para a economia mundial

A falta de investimento na educação não é apenas uma falha moral, mas também um desastre financeiro. A UNESCO estima que o custo da exclusão escolar e das lacunas de aprendizagem atinja os 10 mil milhões de dólares anuais para a economia global.

Em muitos países de baixo rendimento, o peso da dívida externa impede o investimento no futuro. Em 2022, várias nações africanas gastaram quase tanto dinheiro no pagamento de dívidas como no seu sistema educativo. Ao mesmo tempo, a ajuda internacional para a educação tem sofrido reduções constantes, caindo de 9,3% em 2019 para 7,6% em 2022.

Obstáculos à conclusão do ensino secundário

  • • Embora o número de matrículas tenha aumentado 30% desde o ano 2000, as taxas de conclusão não acompanham este ritmo.
  • • Muitos alunos iniciam o percurso escolar com atraso ou repetem anos sucessivamente.
  • • Nos países de baixo rendimento, apenas uma em cada três crianças completa o ensino secundário.

O fosso entre as nações ricas e pobres acentua-se: 33% dos jovens em países de baixo rendimento estão fora da escola, contra apenas 3% nos países de alto rendimento.

Recomendações urgentes para inverter o curso

A UNESCO apela a “líderes audazes” para que tomem medidas imediatas. É necessário reforçar o financiamento através de mecanismos inovadores, como a conversão de dívida em investimento na educação.

  • • Garantir 12 anos de educação obrigatória e gratuita para todos.
  • • Apoiar especificamente grupos marginalizados, incluindo crianças com deficiência.
  • • Melhorar o recrutamento e a formação de diretores escolares e professores.
  • • Sensibilizar as comunidades locais para a importância de manter os jovens na escola até ao final do ciclo secundário.

Sem uma mudança de rumo drástica, o direito humano básico à aprendizagem continuará a ser um privilégio de poucos, em vez de uma garantia para todos.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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