Professores de português no estrangeiro contra novo regime que aumenta precariedade
Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestaram hoje as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.
Numa carta aberta enviada hoje, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestam “enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.
O novo regime “mantém profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro”, acusam.
No documento, os subscritores apelam ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e a várias estruturas executivas e forças políticas para que “promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade” do EPE.
Os subscritores recordam que o ensino do português fora de Portugal “constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa”, principalmente numa “língua pluricêntrica e global como é o português”.
O “ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país” e, “ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais”, consolidando “projetos educativos” e “parcerias com escolas e universidades”, procurando estabelecer “redes de cooperação internacional” e “a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos”, pode ler-se.
“Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE”, ao fazer cessar os contratos, sujeitando os lugares a novos concursos.
Na carta, perante a “possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação”, os subscritores manifestam “sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica” do EPE.
Atualmente, persistem problemas por resolver, como “remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação”, pode também ler-se.
“A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português”, acrescenta.
Na segunda-feira, no Luxemburgo, sindicatos representativos dos professores portugueses entregaram uma carta aberta ao Presidente da República e ao primeiro-ministro em que reiteram que a proposta de revisão do regime é insuficiente.
O Sindicato dos Professores no Estrangeiro e a Federação Nacional dos Professores (SPE/FENPROF) entregou hoje, em representação dos professores do EPE, uma carta na qual expõe as principais preocupações e apela à revisão das medidas propostas”, explicaram os sindicatos, num comunicado enviado à Lusa.
“O SPE/FENPROF não se conforma, nem se conformará, com a proposta de revisão do regime jurídico do EPE, por considerar que a mesma não salvaguarda adequadamente os direitos e as legítimas expectativas dos docentes”, frisaram.
O processo negocial do novo regime tem previstas três reuniões: 15 e 29 de junho e 13 de julho.
PJA (NYC) // EA
By Impala News / Lusa