Ativistas anunciam nova flotilha com ajuda humanitária para Gaza em março
Os organizadores de uma frota internacional de barcos que transportaram no ano passado ajuda humanitária para Gaza anunciaram hoje que têm prevista uma nova missão, com mais de 100 embarcações, em março.
Os ativistas descreveram a próxima missão como a maior mobilização civil contra as ações de Israel na Faixa de Gaza e apelaram à comunidade internacional para impedir que as forças israelitas intercetem a operação.
O anúncio foi feito na Fundação Nelson Mandela, na África do Sul, e entre os oradores estava Mandla Mandela, neto do antigo presidente sul-africano.
Mandela fez parte da frota que embarcou numa missão para Gaza no ano passado e foi detido juntamente com outros ativistas quando o seu barco foi intercetado pelas forças israelitas antes de chegarem à costa do enclave palestiniano.
De acordo com os organizadores, mais de mil ativistas, incluindo médicos, investigadores de crimes de guerra e engenheiros, farão parte da nova frota.
Será apoiada por um comboio terrestre que deverá atrair milhares de ativistas de vários países, incluindo da Tunísia e do Egito.
Os barcos deverão partir de Espanha, Tunísia e Itália em direção a Gaza.
“Desta vez, esperamos que centenas e milhares de pessoas se inscrevam e se mobilizem para entrar pelo Egito, pelo Líbano, pela Jordânia e por todas as outras fronteiras que nos permitam entrar na Palestina ocupada e em Gaza”, disse Mandla Mandela.
“Queremos mobilizar toda a comunidade global para se unir a nós”, sublinhou.
Os ativistas dizem estar cientes de que podem ser confrontados pelas forças israelitas, mas afirmam que estão protegidos pelo direito internacional.
“O Tribunal Internacional de Justiça, na decisão provisória no caso aberto pela África do Sul contra o Estado genocida de Israel, afirma muito claramente que Israel ou qualquer outra nação estão proibidos de impedir qualquer tipo de missão humanitária a caminho de Gaza”, disse Thiago Ávila, um ativista brasileiro que faz parte da organização.
Mandla Mandela disse que eles escolheram realizar a conferência de imprensa na Fundação Nelson Mandela para destacar o apoio do antigo presidente sul-africano à causa palestiniana.
Os ativistas também saudaram a decisão do país de expulsar o vice-embaixador de Israel na África do Sul.
Entre setembro e outubro do ano passado, a Flotilha Global Sumud mobilizou cerca de 50 embarcações e 500 ativistas, incluindo os portugueses Mariana Mortágua, Miguel Duarte, Sofia Aparício e Diogo Chaves.
Os organizadores afirmaram que embarcações israelitas se aproximaram dos barcos enquanto estes navegavam em águas internacionais, atingindo alguns deles com canhões de água.
Estima-se que 443 participantes tenham sido detidos, incluindo Mandela, a ativista Greta Thunberg e a deputada do Parlamento Europeu Rima Hassan.
Após dois anos sob ofensiva israelita e apesar de um cessar-fogo em vigor desde outubro passado, a Faixa de Gaza ainda enfrenta uma crise humanitária, com a entrada de ajuda humanitária a ser limitada por Israel, que também suspendeu a operação de mais de duas dezenas de organizações humanitárias no enclave palestiniano.
JH // SCA
By Impala News / Lusa