Atividade económica no início do ano explica revisão do crescimento do Brasil – ONU
A analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas disse à Lusa que o sentimento e a atividade económicas no Brasil foram melhores que o esperado e isso justifica as novas previsões.
Nova Iorque, 17 mai (Lusa) – A analista de assuntos económicos com o pelouro de África nas Nações Unidas disse hoje à Lusa que o sentimento e a atividade económicas no Brasil foram melhores que o esperado e isso justifica as novas previsões.
“O sentimento económico e a atividade económica no Brasil foram melhores que o esperado em janeiro e por isso há motivo para esperar uma recuperação muito moderada este ano e um pouco mais roubsta em 2018”, disse Helena Afonso à Lusa, comentando a revisão das previsões das Nações Unidas para a maior economia da América Latina.
Em entrevista telefónica à Lusa a partir de Nova Iorque, no seguimento da apresentação da atualização de maio do relatório sobre a Situação Económica Mundial e Perspetivas de 2017, das Nações Unidas, lançado em janeiro, Helena Afonso salientou que “o Brasil contraiu durante muitos meses, a maior parte do ano, e por isso a recuperação há de ser muito recente”.
Daí que a equipa de analistas da ONU, de que esta portuguesa faz parte, espere “um crescimento mínimo porque o país sai de um período muito negativo”.
O relatório sobre a Situação Económica Mundial e Perspetivas de 2017, das Nações Unidas, revê em baixa a previsão de crescimento do Brasil para 0,1% este ano e uma aceleração para 2,6% no próximo ano.
De acordo com o documento, divulgado terça-feira em Nova Iorque e que atualiza o de janeiro, o Brasil deverá este ano sair da recessão dos últimos dois anos, registando um crescimento de 0,1%, que é 0,5 pontos mais baixo do que a ONU esperava em janeiro.
A aceleração para 2,6% em 2018, por outro lado, é 1 ponto percentual mais robusta do que os peritos das Nações Unidas esperavam no início deste ano.
“O risco político continua elevado, o Presidente é muito impopular e registamos também que é necessário uma consolidação das finanças públicas, que não é certo que venha a ocorrer no curto prazo”, acrescentou Helena Afonso.
O Brasil, lembrou, enfrentava a “tempestade perfeita, com a economia a contrair e o banco central a ser obrigado a subir as taxas de juro para controlar a inflação, o que ia em oposição ao que a econmia precisava”.
A nível global, o relatório prevê que a economia mundial deverá crescer 2,7% este ano e 2,9% em 2018, uma aceleração face aos 2,3% do ano passado, mas ainda assim “a força da recuperação continua a ser insuficiente em muitas regiões para um progresso rápido para atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.
MBA // PJA
By Impala News / Lusa