Saiba como vai ser o épico regresso da missão Artemis II e a rota até ao Pacífico
A missão Artemis II inicia o regresso à Terra. Saiba como será a reentrada atmosférica e a amaragem no Pacífico prevista para 10 de abril.
O regresso da missão Artemis II à Terra marca o capítulo final de uma jornada histórica que restabeleceu a presença humana nas proximidades da Lua. Após completar o seu flyby lunar na noite de 6 de abril de 2026, a nave Orion, operada pela NASA e pela Agência Espacial Canadiana (CSA), iniciou a trajetória de regresso livre, aproveitando a assistência gravítica do satélite para projetar-se em direção ao nosso planeta.
O regresso da Artemis II à Terra: A rota para o Pacífico
A fase de regresso da Artemis II é tecnicamente designada como a fase de cruzeiro transterrestre. Neste período, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen deixam a influência gravitacional da Lua para reentrar na esfera de ação da Terra. A operação é caracterizada por precisão milimétrica, onde cada segundo de propulsão e cada ângulo de entrada decidem o sucesso da amaragem.
A trajetória de regresso livre e correções de rota
A nave Orion não necessita de grandes queimas de motor para voltar a casa. Ao passar por trás do lado oculto da Lua, a gravidade lunar funcionou como uma ‘funda’ espacial, alterando o vetor de velocidade da cápsula para uma rota direta de colisão controlada com a atmosfera terrestre.
- • Manobras de Refinamento: Até dia 9 de abril, a equipa de controlo em Houston, em coordenação com a tripulação, executa três queimas de correção de trajetória (OTC). Estas pequenas ativações dos motores do Módulo de Serviço Europeu (ESM) garantem que a Orion atinja o “corredor de entrada” ideal.
- • Rotina de Bordo: Durante o trânsito de volta, a tripulação realiza testes de pilotagem manual e demonstrações de montagem de abrigos contra radiação, preparando protocolos para futuras missões de longa duração.
- • Preparação Física: Os astronautas iniciam protocolos de hidratação e utilizam vestuário de compressão para mitigar os efeitos da transição da microgravidade para a gravidade terrestre durante a reentrada.
A reentrada atmosférica: O teste do escudo térmico
Na sexta-feira, 10 de abril de 2026, ocorrerá o momento de maior tensão térmica da missão. A Orion separar-se-á do seu módulo de serviço a cerca de 122 quilómetros de altitude, iniciando o mergulho na atmosfera.
- • Velocidade Extrema: A cápsula atingirá a atmosfera a aproximadamente 40 mil km/h (Mach 32).
- • Temperaturas Incandescentes: O escudo térmico de ablação enfrentará temperaturas de 2.760 graus Celsius, protegendo a tripulação enquanto o plasma bloqueia temporariamente as comunicações.
- • O Sistema de Paraquedas: A descida será travada por uma sequência de 11 paraquedas. Primeiro, dois de estabilização (drogues) reduzem a velocidade para 480 km/h; a seguir, três paraquedas piloto extraem os três paraquedas principais, que permitem uma descida suave a 27 km/h.
O splashdown e o resgate no pacífico
A amaragem está prevista para as 20:06 EDT (01:06 de sábado em Lisboa) no Oceano Pacífico, ao largo da costa de San Diego, Califórnia.
- • Equipa de Recuperação: O navio USS John P. Murtha da Marinha dos EUA, com equipas especializadas da NASA e mergulhadores, estará posicionado na zona de impacto.
- • Protocolo de Extração: Após a verificação de gases tóxicos ao redor da cápsula, a tripulação é extraída e transportada por helicóptero para o navio, onde serão submetidos a exames médicos imediatos.
- • Análise de Dados: A cápsula será rebocada para o convés do navio, marcando o fim oficial da missão de 10 dias e abrindo caminho para o desembarque lunar da Artemis III em 2028.