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Andy Burnham à beira de se tornar primeiro-ministro do Reino Unido

Andy Burnham, antigo presidente da câmara de Manchester, é o único candidato confirmado à liderança do Partido Trabalhista britânico após a demissão de Keir Starmer. Se nenhum outro candidato surgir, torna-se automaticamente líder do partido e, por consequência, primeiro-ministro do Reino Unido.

Andy Burnham à beira de se tornar primeiro-ministro do Reino Unido

Para perceber como chegámos até aqui, é preciso recuar alguns meses. O Partido Trabalhista de Keir Starmer ganhou as eleições gerais de 2024 por uma margem histórica, pondo fim a 14 anos de governo conservador. Menos de dois anos depois, a autoridade do primeiro-ministro entrou em colapso e o partido enfrenta agora uma das maiores crises internas da sua história recente.

Como Starmer perdeu o controlo

O declínio de Starmer foi progressivo, mas acelerou com brutalidade nos últimos meses. Primeiro, os maus resultados nas eleições locais de 2026, onde os trabalhistas foram varridos em várias autarquias por onde o Reform UK, o partido populista de direita de Nigel Farage, que exigiu eleições legislativas, e os Verdes avançaram. Depois, uma série de demissões do gabinete, a mais significativa das quais foi a de Wes Streeting, que saiu como secretário de Estado da Saúde em maio, afirmando que “onde precisamos de visão, há um vazio”.

A pressão interna tornou-se insustentável quando ficou claro que a única forma de travar o avanço do Reform e dos Verdes nas sondagens era uma mudança de liderança. O nome que reunia consenso era o de Andy Burnham.

A ‘by-election’ de Makerfield: a jogada decisiva

Em maio de 2026, Josh Simons, deputado trabalhista por Makerfield, no noroeste de Inglaterra, renunciou ao seu lugar com um único propósito: permitir que Andy Burnham pudesse candidatar-se àquele círculo eleitoral e regressar ao Parlamento. Sem um assento parlamentar, Burnham não podia concorrer à liderança do partido.

A by-election de 18 de junho tornou-se uma das mais consequentes da história política britânica recente. Burnham venceu com 54,8% dos votos, obtendo mais de 9.000 votos de vantagem sobre o segundo classificado, Rob Kenyon, do Reform UK. A dimensão da vitória foi lida como um mandato inequívoco.

No discurso de vitória, Burnham foi direto. “Temos uma última oportunidade de mudar. Uma oportunidade de construir uma nova política baseada na unidade e na esperança.”

Starmer demite-se e Burnham avança

Starmer anunciou a demissão nesta segunda-feira, dias após a vitória de Burnham em Makerfield, sob pressão crescente de membros do gabinete e do grupo parlamentar. O próprio Wes Streeting, visto como o seu principal rival potencial, apoiou Burnham logo após o anúncio da demissão. O anúncio de Burnham como candidato à sucessão de Starmer tornou-o, a partir desse momento, o único candidato confirmado.

Sob as regras do Partido Trabalhista, um deputado pode desafiar o líder se tiver o apoio de um quinto dos parlamentares do partido, o equivalente a 81 deputados. Se nenhum outro candidato reunir esse apoio, Burnham torna-se automaticamente líder e, por consequência, primeiro-ministro do Reino Unido, sem necessidade de eleições gerais. O sistema parlamentar britânico permite que os partidos no governo mudem de líder a meio do mandato, com o vencedor a assumir automaticamente o cargo de primeiro-ministro.

Quem é Andy Burnham

Nascido em 1970 em Aintree, Lancashire, Burnham estudou inglês em Cambridge e entrou na política aos 24 anos como assistente parlamentar. Foi deputado pela primeira vez em 2001, serviu nos governos de Tony Blair e Gordon Brown, e chegou a ministro da Saúde sob Gordon Brown.

Depois de perder as eleições internas do partido em 2010 e 2015, afastou-se do Parlamento e tornou-se presidente da câmara de Manchester em 2017, cargo que ocupou durante nove anos. Durante esse período, a economia de Greater Manchester cresceu significativamente e Burnham lançou programas de habitação e melhorou a rede de transportes públicos da região. A sua capacidade de se opor a Westminster e de defender o Norte de Inglaterra valeu-lhe a alcunha de “O Rei do Norte” e uma popularidade que transcendeu as fronteiras partidárias.

É descrito como “o único político do país com índices de aprovação positivos” nas sondagens de opinião, num momento em que o descontentamento com a classe política britânica atinge níveis históricos.

O que acontece agora

O prazo para outros candidatos se apresentarem está em curso. Se nenhum reunir o apoio necessário de 81 deputados, Burnham será declarado líder por aclamação e assumirá o cargo de primeiro-ministro num prazo de dias. As sondagens sugerem que os trabalhistas poderiam recuperar terreno com Burnham à frente, mas os desafios são enormes: o Reform UK de Nigel Farage continua em crescimento e os Verdes consolidaram-se como força à esquerda.

A política britânica está, neste momento, a mudar mais depressa do que em qualquer outro período desde o Brexit.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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