Ana Abrunhosa Revela a chave do seu sucesso: “Ouvir as pessoas, estar próxima dos problemas, trabalhar em equipa”
Em jeito de celebração do Dia da Mulher, elegemos vários nomes conhecidos que se destacaram em diversas áreas. Ana Abrunhosa é um nome tem sido cada vez mais conhecido entre os portugueses.
Como é que vive o Dia da Mulher?
O Dia da Mulher recorda-nos que, apesar das conquistas, ainda há caminho para fazer, no sentido de assegurarmos que as desigualdades que persistem exigem compromisso diário, e não apenas simbólico.
Qual é a importância desse dia para si?
Tem importância porque torna visível aquilo que muitas vezes é invisível: o contributo das mulheres na sociedade, na economia, na ciência, na política e nas famílias. É também um dia que nos lembra que os direitos conquistados nunca estão definitivamente garantidos.
Acha que ainda faz sentido celebrar esta data?
Infelizmente, ainda faz sentido. Enquanto existirem desigualdades salariais, menor representação em cargos de decisão ou maior sobrecarga familiar sobre as mulheres, este dia continua a ser necessário, não como comemoração, mas como alerta coletivo.
Ao longo da sua carreira, sentiu especial dificuldade por ser mulher?
Não diria que senti obstáculos explícitos, mas muitas vezes as mulheres têm de provar mais, trabalhar mais e demonstrar continuamente a sua competência. Isso é uma realidade silenciosa que muitas mulheres reconhecem.
Qual é a sua principal preocupação enquanto mulher?
A igualdade de oportunidades para as gerações mais novas. Preocupa-me que as meninas ainda cresçam com expectativas diferentes sobre aquilo que podem ou não alcançar.
Como é que faz a gestão entre a vida profissional e familiar?
Como tantas mulheres, com equilíbrio imperfeito. Não existe fórmula mágica. Existe organização, apoio familiar e, sobretudo, a consciência de que nem sempre conseguimos estar em todo o lado e isso também faz parte da vida.
O que é que é preciso mudar, especialmente no mundo da política, para que as mulheres possam ter as mesmas oportunidades que os homens?
Precisamos de mudar mentalidades: liderança não tem género. É preciso continuar a mudar culturas e não apenas regras. A política ainda valoriza demasiado modelos de liderança tradicionalmente associados ao masculino, mais competitivos e menos colaborativos. Precisamos de reconhecer diferentes formas de liderar, promover ambientes de respeito e garantir que o mérito, a competência e a capacidade de servir são os únicos critérios que contam. Quando a política refletir verdadeiramente a diversidade da sociedade, estaremos mais próximos de uma democracia plena.
Nas últimas semanas destacou-se pelo trabalho de liderança que fez numa altura de crise. Na sua opinião, qual foi a chave do seu sucesso?
Ouvir as pessoas, estar próxima dos problemas, trabalhar em equipa e decidir com serenidade. E planear o pior para proteger pessoas, animais e bens. Em momentos de crise, as pessoas precisam de informação, transparência, proximidade e de perceber as decisões que tomamos. Isso gera confiança. Foi isso que procurei garantir, com uma extraordinária equipa a meu lado. Foram muitas as instituições que estiveram sempre no terreno a cuidar, por isso lhes deixo a minha gratidão. Não posso deixar de referir o papel extraordinário das juntas de freguesia.
Quais são os valores dos quais não prescinde para o seu trabalho?
Planeamento, rigor, colocar o interesse das populações acima de tudo, trabalho em equipa, rapidez, proximidade com as pessoas e responsabilidade nas decisões. Quem exerce funções públicas nunca deve esquecer que está ao serviço da comunidade.
Qual é a mulher que mais a inspira e porquê?
Tenho sido inspirada por muitas mulheres anónimas, que conciliam trabalho, família e participação cívica todos os dias com enorme resiliência. São exemplos silenciosos de força e dedicação.
Como é que quer ser lembrada?
Como alguém que trabalha…
Textos: ANDREIA VALENTE, LUÍS DUARTE SOUSA, VÂNIA NUNES E NEUZA GOMES; Fotos: IMPALA E D.R.