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Redes Sociais: “O problema de Saúde Pública mais Urgente” – O grito de alerta de Rangan Chatterjee

O reputado médico e podcaster britânico Rangan Chatterjee defende medidas radicais para proteger a nova geração. Num testemunho impressionante, revela como o ecrã está a destruir a Saúde Mental dos jovens e por que razão o acesso devia ser proibido até aos 18 anos.

Redes Sociais:

A saúde mental dos nossos jovens está na corda bamba e o culpado, segundo Rangan Chatterjee, tem um nome bem conhecido: as redes sociais. Numa entrevista exclusiva ao The Guardian, publicadan este mês, o antigo médico de família e autor de best-sellers não poupa nas palavras: estamos perante a crise de Saúde Pública mais grave da nossa era.

O caso que mudou tudo: De uma tentativa de suicídio à recuperação

Chatterjee recorda um caso clínico que o marcou profundamente. Um jovem de 16 anos foi levado à sua consulta após uma tentativa de automutilação. O hospital recomendara antidepressivos, mas o médico decidiu investigar mais a fundo. Ao analisar as rotinas do adolescente, descobriu um uso intensivo de ecrãs durante a noite.

A receita de Chatterjee foi simples, mas transformadora: desligar todos os dispositivos uma hora antes de dormir. Em dois meses, o jovem recuperou a alegria de viver e a necessidade de medicação desapareceu. “Estamos a falhar a uma geração de crianças ao não regular as grandes tecnológicas”, afirma o médico, que defende agora a proibição total das redes sociais para menores de 18 anos.

A luta contra a dependência digital

A pressão para afastar os jovens do mundo digital não é nova, mas ganhou força sem precedentes nos últimos meses:

2023: O Reino Unido aprova a Online Safety Act, começando a desenhar as regras de segurança digital.
Dezembro de 2024: A Austrália faz história ao implementar a proibição de redes sociais para menores de 16 anos.
Janeiro de 2026: A Câmara dos Lordes, no Reino Unido, aprova uma emenda decisiva para restringir o acesso a menores de 16 anos, seguindo o exemplo australiano.
Fevereiro de 2026: O Governo britânico abre consulta pública sobre a proibição, enquanto o Dr. Chatterjee eleva a fasquia para os 18 anos, alertando que o cérebro adolescente não está preparado para os algoritmos de dopamina.

Portugal e o Mundo: Um movimento imparável

Portugal não fica indiferente a esta tendência. Recentemente, propostas políticas (como a do PSD) têm vindo a sugerir limitações no acesso livre a plataformas digitais, exigindo autorização parental até aos 16 anos.

Países como França (com metas para setembro de 2026), Espanha e Dinamarca também estão na linha da frente para redesenhar o acesso dos menores ao TikTok, Instagram e Snapchat. A preocupação é unânime: o aumento de casos de ansiedade, depressão e distúrbios de imagem corporal ligados ao scrolling infinito.

Alertas e casos semelhantes

Não é a primeira vez que especialistas alertam para os perigos do mundo digital. Recorde-se o impacto que o documentário ‘O Dilema das Redes Sociais’ teve ao mostrar como as plataformas são desenhadas para viciar. Em Portugal, vários psicólogos têm reportado um aumento de internamentos por ‘burnout digital’ em idades cada vez mais precoces.

Tempo de agir

Para o Rangan Chatterjee, a solução não passa apenas por conselhos individuais. É urgente uma mudança legislativa profunda. “Não deixamos uma criança conduzir um carro ou comprar álcool; por que as deixamos navegar sozinhas num mundo desenhado para as viciar?”

Luís Martins; WiN

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