AI considera intervenção dos EUA na Venezuela como “provável” violação do Direito internacional 

A Amnistia Internacional (AI) considerou hoje ser “provável” que a incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na detenção do seu Presidente, Nicolás Maduro, constitua uma violação do Direito Internacional.

AI considera intervenção dos EUA na Venezuela como

Num comunicado, a organização de defesa e promoção dos Direitos Humanos, com sede em Londres, mostra “grande preocupação” com a possibilidade de uma escalada da tensão provocar violações dos Direitos Humanos.

“A ação militar da administração [do Presidente dos EUA, Donald] Trump na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro e [respetiva mulher] Cilia Flores, gera grande preocupação pelos direitos humanos da população venezuelana. É muito provável que constitua uma violação do direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, assim como a intenção declarada dos Estados Unidos de governar a Venezuela e controlar os seus recursos petrolíferos”, indicou a organização.

A Amnistia instou os Estados Unidos a “priorizar a proteção dos civis e defender os direitos humanos das pessoas privadas de liberdade, entre as quais se encontra o mandatário venezuelano.

Por outro lado, pediu ao Governo da Venezuela que se abstenha de mais “repressão”, estendendo às autoridades do país latino-americano a necessidade de respeitar a legislação internacional e a proteção dos direitos humanos de “todos os venezuelanos”.

“Entre aqueles que correm maior risco imediato estão os defensores dos direitos humanos e ativistas políticos que se opuseram corajosamente durante anos às violações dos direitos humanos e aos crimes de direito internacional cometidos pelo governo de Maduro. A Amnistia Internacional solidariza-se com o povo venezuelano, sobretudo com as milhares de vítimas e sobreviventes e os milhões que fugiram após anos de graves violações e crimes contra a humanidade”, acrescentou a organização.

A AI também exigiu — como já fez em ocasiões anteriores — que o Governo de Maduro seja investigado e que um tribunal “independente e imparcial” o julgue “quando as provas o permitirem” quem assim o desejar.

Para a Amnistia Internacional, a intervenção militar na Venezuela e a captura de Maduro por um membro permanente do Conselho de Segurança da ONU “aprofundam ainda mais a deterioração do direito internacional e da ordem estabelecida”.

“Estas ações são um sinal de um sistema internacional regido pela força militar, ameaças e intimidação, e aumentam o risco de que outros cometam atos semelhantes”, concluiu a organização.

JSD // CSJ

By Impala News / Lusa

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