25 Abril: Chega quer voz dos “silenciados de Abril” e recusa que dia seja só dos capitães
O líder do Chega afirmou hoje que o partido quer dar voz aos “silenciados de Abril”, defendendo que celebrar a Revolução dos Cravos é “assumir toda a história” de Portugal, e recusou que a data seja apenas dos capitães.
Na intervenção do partido durante a sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, na Assembleia da República, André Ventura considerou que nos últimos anos nasceu no país “uma nova classe de silenciados”, a quem foi prometido “um país melhor”, mas não foi dado.
E deu alguns exemplos: “A mãe que lhe dizem que não pode pôr o filho na creche porque outros imigrantes têm prioridade, p pequeno empresário sufocado em impostos no segundo país da OCDE com maior fiscalidade sobre as empresas, as forças de segurança que se cansam de agir porque às tantas têm mais direito o bandido que os agride do que eles para poderem fazer alguma coisa”.
“O casal que quer comprar casa mas lhe dizem que a câmara só construiu para ciganos e portanto eles não têm direito a elas. Esses também são os silenciados de Abril”, além daqueles que “foram derrotados por uma cultura que se impôs sempre para o mesmo lado, sempre para destruir, sempre para empobrecer, sempre para corromper”, acrescentou.
Numa intervenção que durou cerca de 13 minutos, mais do dobro do que estava previsto, o presidente do Chega considerou que tem “o dever de dar voz a esses silenciados”, que classificou como “os novos revoltosos das novas manhãs e das novas madrugadas”.
“Há um povo de milhões, aqui e espalhado pelo mundo, que não quer mais cravos nem mais flores, que não quer conversa nem cerimónias vazias, que não quer gastar milhões em cerimónias nem em festejos nem em quadros, que quer de uma vez por todas ter voz”, defendeu.
André Ventura defendeu também que o 25 de Abril, “por ser de todos, não é o dia dos capitães de Abril, é o dia dos capitães de janeiro, de fevereiro, de março, de maio, de junho, de julho, de agosto, é o dia de todas as Forças Armadas” e “de todos, dos que estavam à esquerda e à direita, dos que queriam um país diferente e um país de liberdade”.
O líder do Chega defendeu igualmente que “celebrar o 25 de Abril tem que ser assumir toda a história” e recusou que o país tenha começado “numa madrugada de abril”.
No seu discurso, Ventura referiu-se ainda à reforma laboral e do Estado, recusando medidas que facilitem a corrupção ou que tire direitos aos trabalhadores aumente a precariedade, assumindo-se como representante do trabalho e dos trabalhadores.
O dirigente pediu que não se esqueça “o mais importante”, os idosos que “vivem com pensões miseráveis” e defendeu que “a Constituição devia servir” para os portugueses “terem direito à saúde, à educação, à habitação, a um salário digno, a uma justiça digna”.
No seu discurso, André Ventura atirou à esquerda, considerando que estes partidos “serão vencidos nesta luta da liberdade e da democracia” por “uma direita grande que não vai desistir até conseguir transformar a liberdade”.
O líder do Chega criticou também aqueles que “exaltam guerrilheiros que estavam a matar militares portugueses por todo o mundo”, que considerou terem sido “apunhalados pelas costas”.
E acusou aqueles que pede “museus e pedem que se abram mais barracas por aí a fora” de se esquecerem dos antigos combatentes e dos retornados.
André Ventura, que optou por se sentar no centro do hemiciclo em vez de no seu lugar de deputado, subiu ao púlpito de cravo verde na lapela, contrastando com os vermelhos associados a este dia, e justificou a escolha dizendo que simboliza a comunidade emigrante, e defendendo que o país não se pode esquecer dos portugueses que estão no estrangeiro.
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By Impala News / Lusa