Presidente bielorrusso reuniu-se com enviado dos Estados Unidos em Minsk

O Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, transmitiu hoje aos Estados Unidos que estão a promover uma guerra contra amigos, referindo-se aos ataques contra o Irão, mas reiterou o apoio ao homólogo norte-americano, Donald Trump, apesar dos “erros cometidos”.

Presidente bielorrusso reuniu-se com enviado dos Estados Unidos em Minsk

O líder bielorrusso recebeu hoje em Minsk uma delegação norte-americana, liderada por John Coale, para dar continuidade às conversações entre os dois países.

“Discutimos a possibilidade de o Presidente Lukashenko viajar para os Estados Unidos. O Presidente [norte-americano, Donald] Trump refere-se constantemente ao Presidente Lukashenko como um bom amigo”, disse Coale, num vídeo publicado na rede social Telegram, através de uma conta ligada à presidência bielorrussa.

Segundo Coale, Trump espera que Lukashenko participe na próxima reunião do “Conselho de Paz”, criado pelo chefe de Estado norte-americano.

O responsável dos EUA acrescentou que discutiu com Lukashenko a posição de Minsk em relação à “guerra no Irão”, que teve início em 28 de fevereiro com ataques aéreos norte-americanos e israelitas contra aquele país.

Anteriormente, num vídeo do encontro transmitido pelos meios de comunicação estatais, Alexander Lukashenko afirmou que queria transmitir a sua “perspetiva” sobre a guerra no Médio Oriente.

O chefe de Estado bielorrusso disse a Coale que Donald Trump estaria a promover uma guerra contra “amigos”.

“Apesar de alguns erros que acredito terem sido cometidos pelos Estados Unidos, continuo a apoiar o seu Presidente”, afirmou Lukashenko.

Em dezembro, John Coale deslocou-se à Bielorrússia para negociações que resultaram na suspensão das sanções norte-americanas ao potássio bielorrusso, um mineral produzido em quantidades significativas por este país da Europa de Leste, um aliado próximo da Rússia.

Posteriormente, Minsk libertou dezenas de presos políticos, incluindo o ativista Ales Bialiatski, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2022, e a opositora Maria Kolesnikova.

Alexander Lukashenko, de 71 anos, reprimiu vários movimentos de protesto, os maiores dos quais ocorreram em 2020 e 2021, quando dezenas de milhares de bielorrussos se manifestaram contra a sua reeleição, que consideraram fraudulenta.

Donald Trump está a encorajar a Bielorrússia a libertar estes prisioneiros em troca da suspensão ou flexibilização das sanções norte-americanas impostas para punir estas perseguições políticas e pelo apoio de Minsk à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

As organizações de defesa dos direitos humanos afirmam que Minsk continua, em paralelo, a reprimir toda a oposição e a prender pessoas. De acordo com a organização Viasna, a Bielorrússia tem ainda mais de 1.100 presos políticos num país com aproximadamente nove milhões de habitantes.

Hoje, durante o seu encontro com John Coale, Lukashenko reiterou que não há “presos políticos” na Bielorrússia, porque não há artigos “políticos” no código penal do país.

CSR // JH

By Impala News / Lusa

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