Washington propõe plano de 15 pontos a Teerão para travar a guerra no Médio Oriente
Conheça os detalhes do novo plano de paz EUA Irão de 15 pontos proposto por Washington para travar a guerra e garantir a segurança no Estreito de Ormuz.
A administração norte-americana, liderada por Donald Trump, enviou uma proposta diplomática decisiva ao Irão através de mediadores no Paquistão. O objetivo central é colocar um fim imediato às hostilidades que assolam a região desde 28 de fevereiro. Este documento surge num momento de extrema tensão, com forças de Israel e dos EUA a manterem uma ofensiva persistente sobre solo iraniano.
O ultimato diplomático de Washington
A proposta surge numa fase de grande desgaste militar e incerteza política em Teerão. O plano sugere um cessar-fogo inicial para permitir negociações diretas. O marechal Syed Asim Munir, chefe das Forças de Defesa do Paquistão, tem sido o principal intermediário entre as partes. Países como o Egito e a Turquia também estão a pressionar o regime iraniano para aceitar os termos e evitar a destruição total das suas infraestruturas.
Os 15 pontos fundamentais da proposta
- • O plano de Washington é ambicioso e exige concessões estruturais ao regime iraniano. Os 15 pontos detalhados no documento são:
- • Cessar-fogo imediato e suspensão de todas as operações militares ofensivas.
- • Desmantelamento total das capacidades nucleares militares atualmente existentes no Irão.
- • Entrega de todo o stock de combustível nuclear enriquecido para fora do território nacional.
- • Desativação permanente de todas as instalações de enriquecimento de urânio conhecidas e secretas.
- • Monitorização rigorosa e acesso ilimitado aos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
- • Compromisso formal e verificável de que o Irão nunca procurará obter armas nucleares no futuro.
- • Cessação total do financiamento e apoio logístico a grupos “proxies”, como o Hezbollah, Hamas e Houthis.
- • Fim do programa de mísseis balísticos e destruição da infraestrutura de lançamento de longo alcance.
- • Criação de uma “zona marítima livre” no Estreito de Ormuz, garantindo a segurança global do petróleo.
- • Garantia de livre circulação para todos os navios comerciais em águas internacionais da região.
- • Levantamento integral de todas as sanções económicas impostas pelos Estados Unidos.
- • Apoio à recuperação económica iraniana através de investimentos internacionais em infraestruturas civis.
- • Desenvolvimento de energia nuclear civil em Bushehr para produção de eletricidade, sob supervisão externa.
- • Preservação do regime atual, reconhecendo a liderança de Mojtaba Khamenei, ainda que numa estrutura enfraquecida.
- • Normalização diplomática progressiva com os países vizinhos do Golfo e a comunidade internacional.
A aceitação destes pontos implicaria uma mudança radical na política externa de Teerão. Em troca, os EUA prometem cessar a ameaça de “mudança de regime” forçada.
A resistência e o caos em Teerão
A resposta oficial de Teerão tem sido marcada pela negação. O Exército iraniano afirmou recentemente que “não se deve chamar acordo a uma derrota”. Para os Guardas da Revolução, aceitar este plano seria admitir a capitulação perante o Ocidente. A sucessão na liderança suprema, após a morte de Ali Khamenei, trouxe uma camada adicional de instabilidade às decisões do Conselho de Segurança Nacional.
Apesar da retórica agressiva, a pressão interna é asfixiante. O preço do petróleo disparou para valores acima dos 100 dólares, mas a economia iraniana está paralisada. A população civil enfrenta uma crise humanitária grave, com relatos de falta de bens essenciais em várias províncias.
Impacto na geopolítica mundial
Analistas sugerem que este plano é a última oportunidade diplomática antes de uma escalada ainda mais destrutiva. Se o Irão rejeitar o documento, Washington poderá intensificar os bombardeamentos sobre alvos estratégicos. O mundo aguarda agora a decisão final de Mojtaba Khamenei sobre se prefere a sobrevivência do regime ou a continuidade de um conflito que já custou milhares de vidas.