Escândalo na Polónia: Médico acusado de retirar útero a jovem sem autorização continua a operar
Um cirurgião em Poznań é acusado de crime doloso após remover todos os órgãos reprodutores a uma jovem de 24 anos sem consentimento.
A cidade de Poznań é o cenário de um dos casos mais perturbadores de negligência e abuso médico da última década. O que deveria ser uma cirurgia de rotina para remover um quisto num ovário transformou-se num pesadelo irreversível para uma jovem bielorrussa de 24 anos, identificada apenas como Wiktoria. Ao acordar da anestesia, a paciente descobriu que lhe tinham sido extraídos o útero, ambos os ovários e as trompas de Falópio, retirando-lhe para sempre a possibilidade de ser mãe. O médico polaco havia cometido um erro de “repercussões monstruosas”
O erro fatal no Hospital Franciszek Raszeja
Em abril de 2024, Wiktoria deu entrada no Hospital Municipal Franciszek Raszeja com fortes dores abdominais. Os exames de diagnóstico revelaram uma lesão de quatro centímetros no ovário direito, com suspeita de tumor. A operação foi liderada pelo Professor Dariusz S., chefe do departamento de ginecologia há dois anos.
De acordo com as investigações mais recentes, datadas de fevereiro de 2026, o cirurgião tomou decisões críticas sem suporte científico. Em vez de aguardar pelos resultados da biópsia intraoperatória – que confirmaria se o tumor era benigno ou maligno –, o médico procedeu à remoção total dos órgãos reprodutores. Apenas 15 minutos após a cirurgia, o laboratório confirmou que o tumor era, afinal, benigno.
Acusações de crime doloso e falsificação
O caso ganhou contornos ainda mais graves quando o Ministério Público polaco alterou a acusação de “negligência” para “dano corporal intencional”. As conclusões dos investigadores apontam para falhas éticas e legais profundas:
- – Falta de Consentimento: A paciente nunca foi informada da possibilidade de uma hysterectomia total nem deu autorização para tal.
- – Falsificação de Registos: O médico é acusado de ditar informações falsas para o relatório operatório, tentando simular a existência de metástases que nunca existiram, de forma a justificar a sua conduta (saiba como denunciar erros médicos graves).
- – Pressa Injustificada: O cirurgião não esperou pelo diagnóstico histopatológico, agindo de forma precipitada e irreversível.
A revolta da comunidade médica
Entre os colegas de profissão, as críticas são severas. Alguns médicos locais, em declarações à imprensa polaca, chegaram a descrever a atuação de Dariusz S. como a de um “carniceiro”, sublinhando que “esvaziou” a paciente sem qualquer necessidade médica fundamentada.
Apesar da gravidade das acusações e da moldura penal que pode chegar aos 20 anos de prisão, Dariusz S. mantém-se em funções. A direção do hospital manifestou confiança no clínico, permitindo que este continue a realizar cirurgias e a atender pacientes, o que tem gerado uma onda de indignação pública e pedidos de suspensão imediata da sua cédula profissional.
Impacto na vida de Wiktoria
Para a jovem de 24 anos, a Justiça poderá trazer uma condenação, mas nunca a reparação do dano. Além da infertilidade precoce, Wiktoria foi forçada a entrar numa menopausa induzida, dependendo de terapia hormonal para o resto da vida. O caso serve como alerta global sobre a importância do consentimento informado e do rigor nos protocolos hospitalares.