Histórico da Renamo quer forçar saída do líder para travar morte do partido moçambicano

O histórico da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) António Muchanga sugeriu hoje a retirada forçada de Ossufo Momade da presidência do partido, referindo que perdeu condições para dirigir a formação política e está a “matar a relíquia” deixada por Dhlakama.

Histórico da Renamo quer forçar saída do líder para travar morte do partido moçambicano

“Ele prometeu que ia deixar, mas não quer sair. Então, quem não quer sair tem que ser forçado a sair”, disse António Muchanga, antigo deputado da Renamo.

António Muchanga falava aos jornalistas durante uma visita à província da Zambézia, no centro de Moçambique, de membros ligados ao movimento de contestação interna à liderança de Ossufo Momade, num contexto de crescente pressão de antigos dirigentes, ex-guerrilheiros e militantes que exigem mudanças na condução do partido.

O antigo deputado disse que Ossufo Momade falhou o compromisso assumido de abandonar a liderança do partido, considerando que a sua permanência está a aprofundar a crise interna e a comprometer o processo de revitalização da formação política.

“Queremos que a justiça seja feita e que ele abandone a liderança. Já não está a prestar bom serviço ao partido. Está a matar a relíquia que Dhlakama nos deixou”, declarou o político, acrescentando que a visita à Zambézia tem como objetivo trocar experiências com outros membros do movimento contestatário e acompanhar iniciativas destinadas a pressionar a atual direção da Renamo.

Segundo António Muchanga, os contestatários optaram por recorrer às instituições judiciais para resolver as divergências internas, submetendo processos aos tribunais e à Procuradoria-Geral da República (PGR), rejeitando qualquer recurso à violência para pressionar a atual direção da Renamo.

“Estamos a empurrar a ele, porque quem não cumpre tem de ser empurrado. Então, ele está a ser empurrado para sair e vai sair”, acrescentou.

Na segunda-feira, ex-guerrilheiros da Renamo apresentaram uma participação à PGR exigindo que Ossufo Momade preste contas sobre a gestão dos recursos financeiros recebidos pelo partido nos últimos dois anos, segundo um documento consultado pela Lusa.

Na queixa, os subscritores acusam a direção da Renamo de falta de transparência financeira, alegando inexistência de relatórios de contas, auditorias independentes e prestação regular de informação aos órgãos internos e membros da formação política.

A Renamo enfrenta há vários anos conflitos internos marcados pela contestação à liderança de Ossufo Momade, acusações de falta de transparência na gestão do partido e divergências sobre o funcionamento dos órgãos dirigentes e o rumo político da maior força da oposição moçambicana durante grande parte do período multipartidário.

Ossufo Momade, 65 anos, sucedeu na presidência da Renamo, em 2018, a Afonso Dhlakama (1953-2018), que morreu nesse ano. Foi reeleito em maio de 2024, num processo fortemente contestado internamente, e prometeu não voltar a candidatar-se à liderança do partido.

Momade foi candidato presidencial nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de sempre de um candidato apoiado pela Renamo, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994, e perdeu igualmente o estatuto de segunda força política, passando de 60 deputados nas legislativas de 2019 para 28 assentos parlamentares nas eleições de 2024.

A Renamo realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que foi “uma manobra dilatória” para manter Momade na presidência.

EYMZ // VAM

By Impala News / Lusa

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