Hezbollah recusa zona de segurança com tropas israelitas no sul do Líbano
O líder do movimento xiita Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou hoje qualquer zona de segurança com forças israelitas no sul do Líbano, depois de Israel ter dito que ia manter o exército no local.
Manter as forças israelitas em solo libanês “é impossível” e “não existem zonas seguras para Israel”, afirmou o chefe do grupo pró-iraniano numa declaração transmitida pela televisão.
“Temos um exército libanês que é o único capaz de ser mobilizado e responsável por salvaguardar a soberania [do Líbano] e é com ele que cooperamos”, acrescentou.
A posição do líder do grupo apoiado pelo Irão surgiu depois de o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, terem garantido que as tropas israelitas vão manter-se “na zona de segurança” no sul do Líbano.
Netanyahu reiterou já que o exército israelita vai continuar no sul do Líbano “pelo tempo que for necessário”.
“Permaneceremos na zona de segurança no sul do Líbano pelo tempo necessário para proteger o povo do norte [de Israel], que nos é querido, bem como todos os cidadãos do Estado”, disse Netanyahu numa cerimónia de homenagem ao irmão, que morreu em combate em 1976.
“Independentemente dos desenvolvimentos diplomáticos que virão, não permitirei que o Irão adquira armas nucleares. Enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, isso não acontecerá”, insistiu.
Também o ministro da Defesa israelita tinha afirmado antes que as forças armadas vão manter-se “na zona de segurança do Líbano” e operam “sem restrições”.
Israel e Hezbollah não registaram hoje combates, depois de sexta-feira e sábado terem sido dos dias mais sangrentos desde o início do conflito, com mais de 120 mortos causados por ataques israelitas, segundo o Ministério da Saúde libanês.
O cessar-fogo entre as forças israelitas e o grupo xiita estava previsto no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pelo homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.
A trégua entrou em vigor no sábado, mas ambos os lados acusaram-se mutuamente de violações.
Teerão anunciou no sábado que ia voltar a encerrar o estreito de Ormuz, o que não aconteceu até agora, responsabilizando os EUA pelos ataques israelitas no sul do Líbano.
O secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou já que a passagem de petroleiros pelo estreito de Ormuz se mantém em números semelhantes aos de antes do início da guerra com o Irão, a 28 de fevereiro.
Em entrevista à rede norte-americana Fox, Wright disse que “nas últimas 24 horas, 67 navios passaram pelo estreito de Ormuz, no dia anterior tinham sido 55”.
“Então, o trânsito está agora a fluir normalmente pelo estreito,” insistiu.
Estados Unidos e Irão iniciaram esta tarde conversações para pôr fim à guerra, num encontro na cidade suíça de Bürgenstock, mediadas pelo Paquistão e pelo Qatar.
O memorando de entendimento estipulou um prazo de 60 dias para negociações, que deverão incidir sobre o estreito de Ormuz, a situação no Líbano e o programa nuclear iraniano.
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By Impala News / Lusa