Guerra EUA-Irão: ataques mútuos intensificam-se e Irão fecha o Estreito de Ormuz
Os Estados Unidos e o Irão trocaram novos ataques nas últimas horas. O Irão declarou o Estreito de Ormuz fechado a todo o tráfego marítimo, incluindo petroleiros. Trump prometeu continuar a atacar “com força”. O conflito entra na sua fase mais perigosa.
A guerra entre os EUA e o Irão escalou nesta madrugada para um novo patamar. Teerão declarou o Estreito de Ormuz fechado a todo o tipo de embarcações, incluindo petroleiros e navios mercantes, medida que, se mantida, pode ter consequências devastadoras para os mercados globais de energia, dado que por ali passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural.
O Comando Central dos EUA confirmou novos ataques contra múltiplos alvos no Irão, em resposta ao que Washington descreve como “agressão injustificada e contínua”. O Presidente Donald Trump foi direto. “Atacámo-los com força ontem e vamos atacá-los com força novamente hoje.”
A sequência de eventos
O conflito desta fase foi desencadeado quando um helicóptero norte-americano foi atingido por um drone iraniano perto do Estreito de Ormuz. Washington atribuiu a responsabilidade a Teerão. O Irão afirmou que o incidente ocorreu nas suas águas territoriais.
Em resposta, os EUA lançaram ataques contra múltiplos alvos no território iraniano. O Irão retaliou com bombardeamentos contra 21 alvos militares norte-americanos em todo o Médio Oriente, incluindo a Jordânia, o Kuwait e o Bahrein. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado bases norte-americanas no Bahrein e no Kuwait, visando antenas de comunicações e instalações de radar do sistema antimíssil Patriot da Quinta Frota dos EUA.
O fecho do Estreito de Ormuz
A declaração iraniana de encerramento do Estreito de Ormuz é a escalada mais significativa do conflito até ao momento. O Estreito de Ormuz, com apenas 33 quilómetros no ponto mais estreito, é o corredor marítimo mais estratégico do mundo. Por ele passam diariamente entre 17 e 21 milhões de barris de petróleo, provenientes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e do próprio Irão.
O encerramento deste corredor, mesmo temporário, tem efeito imediato nos preços do petróleo e, por consequência, nos combustíveis em Portugal e no mundo.
Negociações em paralelo
Apesar da intensidade dos ataques, as negociações entre os EUA e o Irão sobre o programa nuclear iraniano continuam através de países mediadores. Teerão terá aceitado pela primeira vez abdicar de armazenar urânio enriquecido no país, fator essencial para o fabrico de uma bomba atómica, antes de uma nova ronda de negociações prevista para Viena.
Trump admitiu que não estava “satisfeito” com as conversações, mas não as deu como encerradas. O paradoxo é claro: os dois países estão a negociar enquanto se bombardeiam.
O que diz o Conselho de Segurança da ONU
Os Estados Unidos instaram a China e a Rússia a cessarem a subversão das decisões do Conselho de Segurança em relação ao regime de sanções contra o Irão e a não obstruírem “a possibilidade de paz”. A diplomata norte-americana Tammy Bruce afirmou que “certos Estados, ao desrespeitarem as restrições impostas por este Conselho e ao protegerem o Irão da responsabilização, possibilitam diretamente as atividades desestabilizadoras do Irão”.
A situação continua a evoluir. Os desenvolvimentos serão atualizados à medida que surgirem novos dados.