Fevereiro bate recorde de 47 anos: O balanço de um inverno histórico
Bastaram 15 dias para fevereiro de 2026 bater recordes de 47 anos. Descubra a cronologia das depressões e os impactos da chuva extrema em Portugal.
O que parecia ser apenas mais um inverno rigoroso transformou-se num marco meteorológico. Em apenas duas semanas, Portugal registou valores de precipitação que não se viam desde a década de 70. Do sul ao norte, a água moldou a paisagem e os recordes caíram um após outro. Fevereiro de 2026 foi o mês mais chuvoso dos últimos 47 anos.
Portugal está a viver um dos invernos mais chuvosos de que há memória. Segundo os dados mais recentes do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a primeira quinzena de fevereiro de 2026 foi suficiente para elevar este mês ao patamar de o mais chuvoso dos últimos 47 anos. Com um acumulado de 223,5 mm de precipitação entre os dias 1 e 15, o valor representa 304% da média histórica para o mês inteiro.
A cronologia do dilúvio: De janeiro a fevereiro
Final de janeiro: O mês terminou como o segundo mais chuvoso desde 2000, fustigado pela tempestade Kristin, que deixou solos saturados e ventos superiores a 170 km/h.
1 a 5 de fevereiro: A chegada da depressão Leonardo trouxe chuva persistente e forte, colocando vários distritos sob aviso laranja.
6 a 10 de fevereiro: A passagem das depressões Marta e Vils intensificou a precipitação no Centro e Sul, com localidades como Mora e Alvalade do Sado a registarem cinco vezes mais chuva do que o normal.
15 de fevereiro: O IPMA confirma oficialmente que o recorde de 1979 foi batido. Em Faro, o acumulado de apenas três meses já superou a média esperada para um ano inteiro.
Solos saturados e o risco de cheias
A situação é crítica não apenas pela quantidade de água, mas pela incapacidade de absorção dos solos, em em estado de “sobressaturação” no Norte e Centro. Com isto, o risco de movimentos de vertente e inundações urbanas disparou. O cenário recorda outros episódios de mau tempo que afetaram o País, onde a infraestrutura foi testada ao limite.
Comparação com anos anteriores
Embora fevereiro de 2025 tenha sido classificado como “normal” em termos de pluviosidade, 2026 rompeu todos os gráficos. Comparativamente, o inverno de 2025/2026 já é o segundo mais chuvoso desde o virar do milénio. Este padrão de eventos extremos reforça as discussões sobre a volatilidade climática na Península Ibérica.
Se recuarmos a outros casos, vemos que a gestão das barragens e o escoamento continuam a ser os pontos sensíveis quando a natureza decide bater recordes de quase meio século.