Ferrovia moçambicana soma perdas de 2.5 ME pelo corte na circulação face às cheias
A estatal Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) somou um prejuízo de três milhões de dólares (2,5 milhões de euros) na sequência da interrupção da circulação na linha do Limpopo, devido a inundações, anunciou hoje a empresa.
Os prejuízos comerciais rondam os três milhões de dólares, até dia 27 deste mês, disse o diretor executivo dos CFM Sul, Emídio Bata, explicando que os prejuízos resultam apenas da interrupção no transporte de carga.
Uma equipa técnica dos CFM, liderada pelo administrador do pelouro de engenharia, manutenção e tecnologia de informação e comunicação, esteve hoje nos troços afetados para fazer a monitorização e avaliação dos prejuízos.
“Ainda estamos a fazer a avaliação no terreno porque, de facto, houve muitos danos na infraestrutura e nós temos que repor. E a questão das pontes e passagens hidráulicas é o que mais vai consumir a necessidade orçamental para repor a linha”, referiu Bata, acrescentando que os prejuízos podem elevar-se quando forem contabilizados os danos causados na linha pelas inundações.
A Linha do Limpopo, no sul de Moçambique, permite ligação e mobilidade de pessoas e bens com países sem acesso ao mar, entre os quais o Zimbabué, que transporta, entre outros produtos, combustíveis, cereais e carga contentorizada.
Os CFM retomaram na segunda-feira o transporte de passageiros no sul do país, 12 dias depois da interrupção devido às cheias.
Em comunicado, a empresa estatal indicou que retomou o transporte de passageiros na linha de Goba, bem como as carreiras de Matola-Gare, Manhiça e Marracuene, nas linhas de Ressano Garcia e Limpopo, respetivamente, todas no sul de Moçambique.
Moçambique regista um total de 22 mortos nas cheias das últimas semanas, com 700 mil afetados, 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, segundo dados provisórios do INGD.
Noss dados do INGD contabilizam-se ainda 45 feridos e 10 desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam socorro no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 820.984 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Prosseguem ações e tentativas de socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
Estão envolvidos nas operações de resgate mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
SYCO (PME/LN) // JMC
By Impala News / Lusa