Governo iraniano convoca população para formar correntes humanas junto a centrais elétricas
O regime de Teerão apela à formação de correntes humanas em centrais elétricas para travar ataques. Analisamos esta tática de escudos humanos.
Numa medida de desespero estratégico que está a chocar a comunidade internacional, o governo do Irão emitiu hoje, 7 de abril de 2026, uma diretiva oficial para que a população civil se mobilize em massa. O objetivo declarado é a formação de “correntes humanas” em torno das principais centrais elétricas do país, numa tentativa de dissuadir bombardeamentos iminentes por parte das forças dos Estados Unidos.
A convocação oficial e o papel da juventude
A ordem partiu de Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e Adolescentes do Irão. Através dos canais estatais, Rahimi convocou especificamente jovens, atletas de elite e figuras do mundo académico para se apresentarem nas instalações energéticas a partir das 14h00 desta terça-feira.
O regime apresenta esta iniciativa como um “ato supremo de patriotismo”. A narrativa oficial sustenta que, ao rodear as centrais, o povo iraniano estará a proteger o património das futuras gerações. No entanto, a linguagem utilizada é imperativa, sugerindo que a presença física dos cidadãos é a última linha de defesa contra o ultimato de Donald Trump, que ameaçou destruir a rede elétrica nacional caso o Estreito de Ormuz não seja totalmente reaberto.
O conceito de “escudo humano” e o Direito Internacional
A estratégia de colocar civis em locais de alta perigosidade militar é tecnicamente definida como a criação de escudos humanos. Esta prática é rigorosamente proibida pela Quarta Convenção de Genebra e pelo Protocolo Adicional I.
- • Violação de normas: A utilização de civis para tornar determinados pontos imunes a operações militares constitui um crime de guerra.
- • Risco de vida: Ao incentivar a presença de “correntes humanas” junto a alvos militares primários, o governo de Teerão assume a responsabilidade direta por eventuais baixas civis em larga escala.
- • Dilema tático: A intenção é criar um “custo moral e político” insuportável para Washington, forçando o cancelamento de ataques aéreos devido à inevitabilidade de danos colaterais humanos.
Infraestruturas sob cerco civil
As centrais elétricas tornaram-se o epicentro desta crise devido à sua vulnerabilidade e importância crítica. Sem energia, o Irão enfrentaria um colapso total dos serviços básicos. As “correntes humanas” estão a ser planeadas para os seguintes pontos críticos:
- • Centrais térmicas e hidroelétricas: Responsáveis por mais de 80% da iluminação e funcionamento industrial do país.
- • Zonas adjacentes a complexos nucleares: Embora o foco sejam as elétricas, há relatos de movimentações semelhantes perto de infraestruturas de duplo uso.
- • Pontes e nós de transporte: Alvos secundários que o governo também pretende “blindar” com a presença de civis.
Reação internacional e o risco de tragédia
A comunidade internacional observa com crescente alarme esta mobilização. Especialistas em direitos humanos alertam que o regime iraniano está a instrumentalizar o sentimento nacionalista para colocar em risco a vida de milhares de cidadãos desarmados.
Donald Trump já reiterou que as infraestruturas são alvos legítimos face ao bloqueio de Ormuz, mas a presença de civis introduz uma variável de elevada complexidade. Se o comando militar norte-americano decidir avançar apesar das correntes humanas, o mundo poderá testemunhar uma catástrofe humanitária em direto nas redes sociais, algo que o Irão parece estar disposto a explorar na guerra de informação global.
A situação no terreno é de uma tensão asfixiante. À medida que o prazo do ultimato se aproxima do fim, a formação destas correntes humanas marca um ponto de não retorno na gestão civil do conflito, transformando cidadãos comuns em peões de uma estratégia geopolítica de alto risco.