Irão nega pedido de cessar-fogo anunciado por Donald Trump
Teerão desmente Trump e nega pedido de cessar-fogo. Conflito no Estreito de Ormuz agrava-se com ameaças de aniquilação e impasse diplomático.
O cenário geopolítico mundial vive horas de extrema incerteza. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorreu à sua plataforma Truth Social para anunciar que o “novo presidente do regime iraniano” teria solicitado um cessar-fogo. Segundo o líder norte-americano, esta seria uma demonstração de que a liderança atual em Teerão é “menos radicalizada” e “mais inteligente”. Contudo, a resposta oficial da República Islâmica não tardou e foi perentória no desmentido.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmaeil Baghaei, classificou as afirmações de Trump como “falsas e infundadas”. Esta divergência de informações ocorre num momento crítico, em que a ofensiva militar – iniciada a 28 de fevereiro por forças norte-americanas e israelitas — completa o seu primeiro mês com um rasto de destruição e mais de 3 mil vítimas mortais.
O ultimato do Estreito de Ormuz
A administração Trump condiciona qualquer interrupção dos bombardeamentos à reabertura total do Estreito de Ormuz. Esta via marítima é vital para a economia global, sendo o ponto de passagem de cerca de 20% do petróleo mundial. Atualmente, o Estreito permanece sob bloqueio da Guarda Revolucionária do Irão, o que tem provocado uma volatilidade sem precedentes nos preços da energia.
Trump foi explícito nas suas ameaças recentes
- • Os EUA manterão os ataques até que a passagem esteja “livre e desimpedida”;
- • O presidente ameaçou “aniquilar” a infraestrutura iraniana, devolvendo o país à “Idade da Pedra” caso o bloqueio persista;
- • Existe um ultimato em vigor até ao dia 6 de abril para a libertação da via navegável.
Mensagens cruzadas e diplomacia de bastidores
Apesar do desmentido público sobre o pedido de cessar-fogo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, confirmou a existência de troca de mensagens com Washington. Numa entrevista recente, Araghchi admitiu o contacto com o enviado especial norte-americano, Steve Witkoff, mas sublinhou que tal não configura uma negociação formal.
O regime iraniano mantém a postura de que apenas aceitará o fim das hostilidades e não uma trégua temporária que mantenha a pressão militar sobre o seu território. Por outro lado, Trump indicou que os EUA poderão retirar-se do conflito em “duas ou três semanas”, alegando que os objetivos de neutralizar a capacidade nuclear iraniana estão perto de ser atingidos.
Isolamento da NATO e novas alianças
Um dos pontos mais sensíveis deste conflito tem sido a relação de Donald Trump com os aliados europeus. O presidente norte-americano manifestou publicamente o seu desagrado com a falta de apoio da NATO na campanha contra o Irão. Em declarações recentes, Trump chegou a sugerir a saída dos Estados Unidos da Aliança Atlântica, chamando-lhe “tigre de papel”.
A estratégia da Casa Branca parece passar agora por incentivar países como o Reino Unido a garantirem os seus próprios suprimentos de energia, inclusive através do uso da força no Estreito de Ormuz, sem contar com a assistência direta das forças norte-americanas para essa tarefa específica.
Esta noite, pelas 21h00 de Washington, Donald Trump fará um discurso à nação que poderá clarificar se os EUA avançarão para uma operação terrestre ou se a via diplomática, ainda que negada por Teerão, tem pernas para andar.