O salário mínimo de 920 euros chega para viver em Portugal?

O salário mínimo nacional é de 920 euros brutos em 2026, mas o valor que chega à conta bancária é bem diferente e as despesas não param de crescer.

O salário mínimo de 920 euros chega para viver em Portugal?

O salário mínimo nacional subiu para 920 euros brutos em janeiro de 2026, mais 50 euros do que em 2025. É o valor mais alto de sempre em Portugal, mas chega para viver?

A resposta depende de onde se mora e de quanto se gasta. O ponto de partida, porém, é sempre o mesmo: os 920 euros brutos não são o que entra na conta. Depois dos descontos obrigatórios para a Segurança Social, o valor líquido desce para cerca de 818 euros mensais, segundo os dados do Montepio e do Santander.

O que fica depois dos descontos

Quem recebe o salário mínimo desconta 11% para a Segurança Social, 101,20 euros, e fica isento de retenção na fonte em IRS, graças à atualização do mínimo de existência para 12.880 euros anuais. Na prática, o ordenado que chega à conta é de 818,80 euros. A este valor podem acrescer o subsídio de alimentação e outros complementos, mas esses não fazem parte do salário mínimo nacional.

Habitação: a maior fatia do orçamento

A habitação é, em 2026, a despesa que mais pesa. Em Lisboa e no Porto, um quarto em apartamento partilhado custa entre 450 e 600 euros por mês, mais de metade do salário líquido. Quem vive sozinho e pretende arrendar um apartamento vê o ordenado praticamente consumido pela renda.

Fora dos grandes centros, o cenário muda. Em cidades como Braga, Coimbra, Aveiro ou no interior do País, os custos de habitação são significativamente mais baixos e o salário mínimo tem outro alcance.

Portugal entre os mais baixos da Europa

O aumento progressivo do salário mínimo nos últimos anos, 760 euros em 2023, 820 em 2024, 870 em 2025 e 920 em 2026, faz parte de um acordo tripartido assinado entre o Governo de Luís Montenegro, a UGT e as confederações patronais em outubro de 2024. O plano prevê novos aumentos: 970 euros em 2027 e 1.020 euros em 2028.

Ainda assim, Portugal mantém-se entre os países da UE com salário mínimo abaixo dos 1.000 euros. Os trabalhadores portugueses fazem em média 39,7 horas semanais, perto de três horas acima da média europeia, e recebem menos de dois terços do salário médio da UE.

Chega ou não chega?

Para quem mora fora de Lisboa e do Porto, partilha casa ou tem despesas de habitação controladas, os 818 euros líquidos permitem cobrir alimentação, transportes e serviços básicos. Para quem vive nas grandes cidades e paga renda a solo, a conta não fecha.

A conclusão é simples: o salário mínimo subiu, mas o custo de vida, sobretudo na habitação, subiu também. E para muitos portugueses, os 920 euros continuam a não ser suficientes.

Luís Martins; WiN
Imagem Pexels

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