França e Alemanha criam “grupo de coordenação nuclear” bilateral

Paris e Berlim criaram “um grupo de coordenação nuclear de alto nível” com o objetivo de “reforçar a sua cooperação em matéria de dissuasão”, anunciaram hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.

França e Alemanha criam

“Esta cooperação franco-alemã irá complementar, e não substituir, a dissuasão nuclear da NATO e os acordos de partilha nuclear da NATO, para os quais a Alemanha contribui e continuará a contribuir”, precisam Paris e Berlim, numa declaração conjunta publicada após o discurso de Macron sobre a evolução da doutrina nuclear francesa.

A nova era da dissuasão nuclear francesa

O Presidente francês anunciou hoje que a França entrou numa nova fase da sua dissuasão nuclear, que qualificou como “avançada”, uma “evolução significativa” da doutrina francesa e na qual oito países europeus “aceitaram” participar.

Este grupo de coordenação franco-alemão “servirá de quadro bilateral para o diálogo doutrinário e a coordenação da cooperação estratégica, nomeadamente para consultas relativas à articulação ótima de capacidades convencionais, defesa antimíssil e capacidades nucleares francesas”, lê-se na declaração conjunta, que faz também referência “à participação da Alemanha nos exercícios nucleares franceses” já neste ano.

A abrangência europeia e a coordenação estratégica

Os oito países que aceitaram participar no plano francês de “dissuasão avançada” são, além da França e da Alemanha, Reino Unido, Polónia, Países Baixos, Bélgica, Grécia, Suécia e Dinamarca. Esses países poderão acolher “forças aéreas estratégicas” da Força Aérea Francesa, que poderão assim “espalhar-se pela profundidade do continente europeu” para “complicar os cálculos dos adversários”, explicou.

O aumento do arsenal e a soberania da decisão

Num discurso proferido na base militar de île Longue (noroeste), o Presidente francês anunciou hoje que a França vai aumentar o número de ogivas nucleares e deixar de divulgar os dados sobre o arsenal nuclear do país. “Não se trata aqui de entrar em qualquer corrida ao armamento”, disse Macron, sobre a nova doutrina nuclear gaulesa.

“A cadeia de comando é totalmente clara e a decisão final” de lançar um ataque nuclear “cabe exclusivamente ao Presidente da República”, destacou o chefe de Estado francês. Macron disse que a França está a entrar assim, progressivamente, numa nova fase do seu armamento nuclear que apelidou como “dissuasão avançada”.

“Temos de reforçar a nossa dissuasão nuclear face à combinação de ameaças e temos de pensar a nossa estratégia de dissuasão no interior do continente europeu, no pleno respeito da nossa soberania, com a implementação progressiva daquilo a que chamarei dissuasão avançada”, adiantou.

Luís Martins; WiN
com Lusa

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