Seguro alerta para “bomba-relógio” do envelhecimento no SNS

O Presidente da República alertou hoje para o impacto do envelhecimento da população no sistema de saúde português, afirmando que a tendência “pode transformar-se numa bomba-relógio nas próximas décadas”.

Seguro alerta para

António José Seguro deixou hoje dois alertas distintos sobre o mesmo problema. Na cerimónia de entrega do Prémio Jorge Ruas de Inovação em Tecnologia Farmacêutica, o Presidente da República considerou que “os sistemas de saúde enfrentam desafios cada vez mais complexos” e que “talvez o mais problemático seja a demografia, devido ao acentuado envelhecimento da população”.

“A tendência é de agravamento, e pode transformar-se numa bomba-relógio nas próximas décadas, com efeitos violentos sobre o sistema de saúde”, afirmou o chefe de Estado, lembrando que Portugal é, em 2026, “o segundo país mais envelhecido da União Europeia.”

Antes, numa conferência sobre sustentabilidade em saúde promovida pelo Expresso, pela Nova-IMS e pela farmacêutica AbbVie, no Centro Cultural de Belém, Seguro já tinha alertado para o que chamou de “ameaça demográfica”: “Portugal é hoje um país mais envelhecido”. “Vivemos mais anos, o que é motivo de satisfação, mas também exige mais cuidados de saúde, mais acompanhamento e mais respostas continuadas, o que acentua a pressão sobre o sistema: mais orçamento, mais estruturas, mais profissionais.”

Um pacto para a saúde

António José Seguro justificou o seu empenho num pacto para a saúde, defendendo que “seria indesculpável, nenhum português entenderia, não empenhar a sua magistratura de influência e o poder da sua palavra para mobilizar profissionais da saúde e decisores políticos em torno de soluções para um problema grave que atravessa toda a sociedade”.

“A sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde depende de uma resposta conjunta que articule recursos humanos e financeiros, inovação, disponibilidade real para a mudança e, acima de tudo, vontade política. Não de uma legislatura. De várias legislaturas. De soluções consistentes que perdurem no tempo e não se percam nas alternâncias do calendário eleitoral”, sublinhou.

O que têm em comum as pessoas que vivem até aos 100 anos

Os números que sustentam o alerta

O alerta do Presidente não surge no vazio. Publicámos hoje um artigo de fundo sobre a solidão nos idosos em Portugal que coloca em perspetiva a dimensão do problema. Portugal tem 24,1% da população com mais de 65 anos, é o segundo país mais envelhecido da UE e dispõe apenas de 3,9 camas de cuidados de longa duração por cada 1.000 idosos, valor muito abaixo da média da OCDE.

Até 2050, um terço da população portuguesa terá 65 ou mais anos, segundo o relatório Health at a Glance 2025 da OCDE. Sete em cada dez idosos portugueses são afetados pela solidão. Setenta por cento dos lares têm lotação esgotada. E a geração que hoje envelhece é, em grande parte, a geração que criou filhos únicos e viu os filhos emigrar.

Luís Martins; WiN
Imagem Lusa

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