O que é e como nos afeta a inércia do sono ao acordarmos
Acabou de acordar? O seu cérebro pode ainda estar a ‘dormir’: Descubra o que é a inércia do sono e conheça dicas para dormir melhor.
Sente confusão, lentidão e incapaz de tomar decisões logo depois de o despertador tocar? A Ciência explica por que razão o seu cérebro demora mais a ‘arrancar’ do que os seus olhos e como pode atenuar este efeito, a que chamamos inércia do sono.
Para ler depois
O que é o distúrbio ‘paralisia do sono’ de que sofre a cantora Irma Ribeiro
Se faz parte do grupo de pessoas que precisa de vários minutos (ou até uma hora) para processar a primeira pergunta do dia, saiba que não é preguiça. O fenómeno tem nome técnico – inércia do sono – e é um estado fisiológico de transição entre o sono e a vigília que afeta os desempenhos cognitivo e motor. Afinal, o que acontece no interior do nosso crânio nos primeiros instantes da manhã? E quais as estratégias fundamentais para um despertar mais lúcido.
O cérebro não liga “todo ao mesmo tempo”
Ao contrário de um interruptor de luz, o despertar do cérebro humano assemelha-se mais ao processo de inicialização de um computador antigo. De acordo com estudos de neuroimagem, as diferentes áreas cerebrais despertam a ritmos distintos.
O despertar sensorial
As áreas responsáveis pela perceção sensorial e funções motoras básicas são as primeiras a ‘ligar’. É por isso que consegue desligar o alarme ou caminhar até à casa de banho, mesmo sentindo-se um ‘zombie’.
O atraso do córtex pré-frontal
As regiões ligadas ao raciocínio complexo, foco e tomada de decisões permanecem num estado de baixa atividade durante os primeiros minutos. Enquanto estas áreas não atingem o pleno funcionamento, o indivíduo encontra-se num limbo: está acordado, mas o seu julgamento permanece comprometido.
Para ler também
Cobertor mais pesado ajuda a melhorar sono e saúde mental
Guia Prático: Como ‘acordar’ o cérebro mais depressa
Embora a inércia do sono seja um processo biológico natural, a forma como vivemos as horas anteriores e posteriores ao despertar pode ditar a intensidade deste “atordoamento”.
Siga estas dicas de higiene do sono para garantir que o seu cérebro entra em pleno funcionamento de forma mais célere:
1. Diga “não” ao botão Snooze
Adiar o despertador por cinco ou dez minutos é um erro comum. Ao fazê-lo, o corpo pode reentrar num novo ciclo de sono profundo que será interrompido abruptamente logo de seguida. Isto confunde o organismo e intensifica drasticamente a inércia do sono.
2. Procure a luz imediata
A luz é o principal sincronizador do nosso relógio biológico. Assim que acordar, abra as persianas ou saia para a varanda. A exposição à luz solar trava a produção de melatonina (a hormona do sono) e estimula o estado de alerta.
3. Estabeleça uma rotina de horários
Tente deitar-se e levantar-se sensivelmente à mesma hora todos os dias, inclusive aos fins de semana. A consistência permite que o cérebro comece a “preparar” o despertar antes mesmo de o alarme tocar, reduzindo o choque da transição.
4. Hidratação e duche matinal
Beber um copo de água mal acorda ajuda a reidratar o organismo após horas de jejum. Se a inércia for muito persistente, um duche com água morna (terminando com água fresca) pode ajudar a baixar a temperatura corporal superficial e aumentar o fluxo sanguíneo cerebral.
5. Evite o ecrã antes de dormir
A luz azul emitida por telemóveis e tablets interfere com a qualidade do sono profundo. Um sono de má qualidade torna a inércia matinal muito mais pesada e duradoura.
Consequências no dia a dia
Durante o período de inércia, que pode durar entre 15 a 60 minutos, a capacidade cognitiva pode ser inferior à de uma pessoa sob o efeito de álcool. Por isso, respeitar este tempo de adaptação evita erros de julgamento, irritabilidade e escolhas precipitadas que podem prejudicar o seu dia de trabalho ou as suas relações pessoais. Concluindo, se precisa de discutir um tema sério ou resolver um problema complexo, dê ao seu cérebro o tempo que ele pede para ‘aquecer’.