Tempestade O medo e o choque do que os jornalistas viram nas regiões afetadas
Andreia Vale, Lurdes Baeta, Tânia Laranjo e muitos outros profissionais da televisão andaram à chuva e enfrentaram perigos para mostrar o caos a quem estava em casa. Receberam pedidos de ajuda e ouviram palavras de desespero, mas mantiveram-se no terreno a fazer o seu trabalho.
Desde o final de janeiro, Portugal atravessa um verdadeiro comboio de tempestades. Dias seguidos de chuva intensa, vento forte e cheias foram agravando uma situação já frágil, deixando um rasto de destruição que se foi acumulando no tempo. Casas inundadas, telhados arrancados, ruas intransitáveis e localidades inteiras sem luz ou comunicações passaram a fazer parte do quotidiano de milhares de pessoas, sobretudo em zonas do Centro e do Alentejo, mas também no Oeste e no Ribatejo.
À medida que os dias avançavam, a dimensão do impacto tornava-se mais evidente em concelhos como Leiria, Pombal, Ourém e Marinha Grande, mas também em Alcácer do Sal, Santarém, Azambuja, Abrantes ou Torres Vedras. Famílias obrigadas a sair de casa durante a noite, idosos isolados sem eletricidade, pequenos negócios destruídos em poucas horas e doentes sem condições básicas para permanecerem em segurança foram alguns dos cenários encontrados no terreno. A sensação de isolamento foi uma constante em diferentes pontos do país.
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Foi neste contexto que os jornalistas chegaram ao terreno e percorreram os distritos mais afetados para mostrar o que não cabia nos comunicados oficiais: a vida interrompida, a incerteza de quem perdeu tudo, a angústia de quem não sabe por onde começar a reconstruir. Mesmo habituados a contextos de emergência, houve momentos de emoção e de medo, provocados pelas condições extremas em que trabalharam, com chuva intensa, vento forte e estruturas instáveis.
O contacto com as populações revelou histórias que se repetiam com rostos diferentes. Pessoas a dormir em carros ou em casas de familiares, comerciantes a olhar para espaços vazios onde antes tinham o sustento de uma vida, animais resgatados à pressa, documentos e memórias perdidos na água e na lama. Para muitos, pedir ajuda foi um gesto difícil, feito apenas porque já não havia alternativa.
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Texto: Inês Neves e Andreia Valente; Fotos: Arquivo Impala e Unsplash.