Gustavo Santos “A minha missão com o Nuno Markl está cumprida” [Entrevista Exclusiva]
Gustavo Santos afirma que quis erguer “um espelho gigante” para que os admiradores de Nuno Markl pudessem observar-se e perceber que, “se fizessem escolhas semelhantes às dele”, poderiam também eles ir parar ao hospital. Nesta conversa com a NOVA GENTE, fala também da forma como educa os filhos e como a companheira, Mafalda Rodiles, vê as suas escolhas e opiniões.
Nas últimas semanas, tem estado no centro da polémica por ter proferido declarações controversas sobre o AVC que Nuno Markl sofreu. Porque é que falou publicamente sobre este assunto e escolheu adjetivos pouco abonatórios para se referir a ele (“pálido, flácido, pré-obeso e pró-vacinas”)? A sua intenção era chocar?
A verdade, normalmente, é controversa, sobretudo quando nos responsabiliza. Falei publicamente porque senti que devia fazê-lo. O Nuno é uma pessoa muito acarinhada pelo público e tudo o que lia sobre o que se estava a passar, independentemente das intenções das pessoas, era superficial e banal. Desejar as melhoras a alguém que está doente é superficial. Enviar-lhe força é banal. Era preciso alguém lembrar as causas que, verdadeiramente, o tinham deixado naquele estado. E foi isso mesmo que fiz. Levantei um espelho gigante à sua frente para que ele e os seus admiradores se pudessem olhar e perceber que, se fizerem escolhas semelhantes às dele, em breve estarão eles a caminho do hospital. E não, nunca tive intenção de chocar. Chocante já era o que ele estava a viver.
Quando publicou o vídeo, tinha noção da repercussão que ia ter?
Honestamente, não tinha. Para mim, era só mais um vídeo que poderia acordar quem ainda não percebeu que a saúde está nas suas mãos, nos seus hábitos, escolhas e práticas.
Como é que lidou com a avalanche de críticas, muitas delas vindas de figuras públicas?
O meu coração é enorme (cabe toda a gente) e a minha cabeça é à prova de bala como o carro do Papa. Além disso, interessa-me muito pouco (ou nada) o que pensam sobre mim, sobretudo quando vem de figuras públicas que podiam ter um tremendo impacto positivo no País, mas que escolhem interessar-se mais sobre os outros do que sobre elas próprias.
Foi acusado de mostrar falta de empatia por uma pessoa que estava numa situação debilitada. Agora, à distância, consegue perceber essas opiniões? Arrepende-se do que disse?
Como já disse, lamento o que lhe aconteceu. Assim como sinto uma enorme compaixão por todas as outras pessoas que passam pelos mesmos episódios, cancros e afins. Mas não fui eu que o pus naquela posição. A responsabilidade, goste-se ou não, foi dele. Além disso, a comunicação social fez títulos descontextualizados. Pegou em algumas palavras de um vídeo de quase dois minutos e tornou-as pedras na sua direção. No mesmo vídeo, digo e repito duas vezes que “felizmente” teve uma outra oportunidade. Quanto às opiniões, percebi-as desde os primeiros minutos. Cada um é livre de se expressar. Se eu fui, todos têm legitimidade para sê-lo. Agora, arrependido? Nem pensar. Sou um homem de convicções fortes e o meu caminho é para a frente. Além disso, o vídeo foi feito por um bem maior e tenho a certeza que esta controvérsia resultou em inúmeros despertares. No final das contas, e somadas as tomadas de consciência, ainda se aliviaram as urgências dos nossos hospitais.
Gostava de falar com o Nuno Markl?
Não. A minha missão com ele está cumprida. Agora, o que ele fará com o espelho que levantei é da sua responsabilidade. Além disso, posso enviar-lhe por aqui o desejo sincero de uma recuperação rápida e, sobretudo, total.
Já foi alvo, várias vezes, do humor de Joana Marques. Se estivesse cara a cara com ela, o que gostaria de lhe dizer?
Muita saúde.
Leia esta matéria na íntegra na sua NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas

Texto: Vânia Nunes; Fotos: Tito Calado