Rute Cardoso Prepara-se para as datas mais dolorosas desde a morte de Diogo Jota
A viúva de Diogo Jota enfrenta, dentro de poucos dias, o primeiro aniversário de casamento e o primeiro ano da morte do jogador, agarrada aos três filhos, à família e à memória do marido.
Há datas que deixam de ser apenas dias no calendário. Para Rute Cardoso, o final de junho e o início de julho nunca mais serão vividos da mesma forma.
A 22 de junho de 2025, casou-se com Diogo Jota, o homem com quem cresceu, com quem formou família e com quem tinha três filhos pequenos. A 3 de julho, apenas 11 dias depois, o jogador morreu num acidente de viação em Espanha, juntamente com o irmão, André Silva. Quase um ano depois, a viúva aproxima-se de um período negro: primeiro, o aniversário do casamento; depois, o primeiro ano da tragédia que lhe arrancou o marido e mudou para sempre a vida da família.
A memória da cerimónia chegará inevitavelmente acompanhada por tudo o que veio a seguir. O vestido, as fotografias, os filhos, os amigos, a família reunida e a frase que o casal partilhou nas redes sociais – “Sim, para sempre” – ganharam, poucos dias depois, um peso impossível de prever e esquecer. O que era uma declaração de amor tornou-se também uma das últimas imagens públicas de felicidade entre os dois. Agora, quando se cumprir o primeiro aniversário desse dia, Rute deverá viver a data no resguardo dos filhos, da família e dos amigos mais próximos, como tem feito nos momentos mais delicados desde a morte do marido.
A relação de Rute e Diogo vinha de longe. Começaram a namorar ainda adolescentes, em Gondomar, muito antes de ele chegar ao Liverpool, à seleção nacional e à dimensão internacional que viria a conquistar. Ela acompanhou o seu percurso, as mudanças, a saída de Portugal, a vida em Espanha e depois em Inglaterra. Quando casaram, já tinham passado por muito mais do que uma história de namoro. Tinham uma vida em comum, três filhos e um caminho feito de anos de cumplicidade. Dinis, de cinco anos, Duarte, de três, e Mafalda, de um, tornaram-se a razão maior para Rute continuar a procurar estabilidade num quotidiano profundamente alterado. A viúva, hoje com 29 anos, tem pela frente a tarefa de criar os filhos sem o pai, mantendo viva a memória de Diogo, mas tentando preservar-lhes também alguma leveza, alguma rotina, alguma infância.
Por isso, estas datas não serão apenas uma lembrança do casal. Serão também um reencontro com tudo aquilo que ficou por viver. O primeiro aniversário de casamento trará a memória da promessa, da festa e do futuro que parecia aberto. Poucos dias depois, o primeiro ano da morte de Diogo Jota voltará a impor o peso da ausência. Entre 22 de junho e 3 de julho, Rute atravessará uma sequência emocional muito dura, em que o amor e a perda surgem quase colados, como se o calendário insistisse em recordar a rapidez com que tudo mudou.
Desde a morte do marido, Rute tem procurado reorganizar a vida em torno dos filhos. Dinis, Duarte e Mafalda tornaram-se o centro absoluto dos seus dias e a razão mais forte para continuar a procurar alguma normalidade. Com três crianças para criar, há rotinas que não podem desaparecer, datas que continuam a chegar, aniversários que se celebram e momentos de ternura que ajudam a abrir algum espaço no meio da ausência.
Ao longo dos últimos meses, a viúva foi deixando ver pequenas partes dessa nova realidade. Sem grandes discursos, partilhou imagens com os filhos, de dias de férias, de momentos em família e de uma rotina cada vez mais ligada ao desporto. As corridas, os treinos, o ginásio e os desafios físicos passaram a surgir com mais frequência nas suas redes sociais, como sinal de disciplina e de força num período em que tudo teve de ser reaprendido. O exercício tornou-se uma presença constante, uma forma de ocupar os dias, ganhar energia e manter o corpo em movimento quando a vida familiar teve de encontrar outro equilíbrio.
Mas são os filhos que parecem comandar tudo. Por eles, Rute tem continuado a levantar-se, a viajar, a sorrir em alguns momentos e a preservar uma ideia de família, mesmo sem a presença de Diogo. Poucos meses após a tragédia, esteve com as crianças na Disneyland Paris, onde assinalou o aniversário do filho mais velho, a 6 de fevereiro, e também passou férias com os três na Tailândia. São imagens de aparente leveza, mas carregam uma força discreta: a de uma mãe que tenta devolver aos filhos dias felizes, sem deixar que a memória do pai se apague. A par dos filhos, a família e os amigos têm sido o seu grande apoio desde a morte do jogador. E é com eles que Rute deverá atravessar as dolorosas datas que se aproximam, no resguardo de quem conhece a sua dor para lá das homenagens públicas.
Leia tudo na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Inês Neves; Fotos: Impala e D.R.