Patrícia Candoso Sem trabalho e à espera de respostas

A tempestade que assolou o País no mês passado obrigou ao encerramento do Teatro Maria Vitória, em Lisboa, por razões de segurança, e a peça ‘Pára, que É Urgente’, que ia estar em cena até ao final de maio, acabou cancelada. Atores e equipa técnica imploram por medidas.

Quando, há cerca de um mês, se despediram do público no final de mais uma sessão, os atores de ‘Pára, que É Urgente’ nunca pensaram que não voltariam a pisar o palco com aquela peça. A verdade é que a passagem da tempestade que assolou o nosso país causou estragos no telhado do Teatro Maria Vitória, em Lisboa, e, por questões de segurança, o espaço foi encerrado. Até agora, não há respostas sobre quando é que a mítica sala de espetáculo da capital vai reabrir, nem sequer quando se iniciam as obras. Os atores e a equipa de produção continuam sem trabalho e à espera de respostas, como dá conta Patrícia Candoso.

“Fomos obrigados a parar. Mas parar não pode significar ficar esquecidos. Há um mês que uma companhia, um elenco inteiro de atores, bailarinos, técnicos, músicos… mais de 20 pessoas esperam por uma resolução”, denuncia a atriz, que faz parte do elenco. “Há excursões marcadas, sessões programadas até dia 31 de maio e um público que merece voltar a esta sala, onde tantas vezes riu, aplaudiu e se emocionou. O Teatro Maria Vitória não é apenas um edifício, é um símbolo do Parque Mayer. É a casa da Revista à Portuguesa, um género único da nossa cultura, que só existe em Portugal e que faz parte da nossa identidade artística e histórica”, continuou, deixando um apelo “às entidades competentes para que haja celeridade, responsabilidade e respostas para que este problema seja resolvido com a urgência que o teatro e a cultura merecem”. 

Miguel Dias, outro dos atores e um dos responsáveis pelo texto da peça, explica que já houve uma reunião na Câmara Municipal de Lisboa e que todos os esforços têm sido feitos. “Estão preocupados e comprometidos, mas tudo demora o seu tempo. É uma obra grande. Engenheiros e técnicos especializados já estiveram a avaliar a situação e a perceber o que é preciso, mas há muitos trâmites legais que não podem ser ultrapassados. Tem que ser aberto um concurso público, haver candidaturas, a seleção e iniciar-se a obra”. Com todos estes procedimentos, o ator não acredita num regresso da peça. “Depois, já não fará sentido porque o teatro de revista vive de atualidade e, entretanto, perde-se”.

Com o teatro de portas fechadas, há quem tenha ficado sem uma importante fonte de rendimentos. “Como trabalhamos no teatro de quinta a domingo, muitos de nós temos outros projetos nos outros dias, mas há quem não tenha. De qualquer forma, houve esta quebra de rendimentos, que era um valor fixo, que recebíamos mensalmente”, concluiu.

Texto: Vânia Nunes; Fotos: Impala

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