Zara Larsson Famoso reage ao momento da cantora com o fã Afonso: “Há homens que nunca puderam dançar”
Pedro Chagas Freitas debruça-se sobre as ofensas de que o jovem Afonso Barreto, o fã que dançou com Zara Larsson no NOS Alive, tem sido alvo.
Zara Larsson atuou no NOS Alive, na passada sexta-feira, 10 de julho, e um dos momentos altos do concerto aconteceu quando o jovem fã Afonso Barreto foi chamado ao palco para dançar com a cantora sueca o êxito “Lush Life”.
Este ritual é repetido pela artista em todos os países por onde passa, o que acaba, normalmente, por gerar momentos virais de forma positiva. No entanto, em Portugal, a reação do público foi completamente diferente.
Afonso acabou por ser alvo de várias ofensas nas redes sociais, nomeadamente de comentários relacionados com a sua orientação sexual. Figuras públicas reagiram ao tema nas redes sociais, incluindo o escritor Pedro Chagas Freitas.
Pedro Chagas Freitas reage ao concerto de Zara Larsson
“O Afonso dançou em palco, foi feliz, e foi atacado, ofendido, questionado na sua sexualidade, como se isso interessasse para alguma coisa. Eu acho que o ódio pode ser nostalgia mal resolvida. Há homens que nunca puderam dançar, que nunca puderam chorar, que nunca puderam abraçar outro homem durante muito tempo, que nunca puderam dizer ‘tenho medo’, que nunca puderam ser delicados. Chamaram-lhes nomes, ensinaram-lhes que havia gestos proibidos, que havia emoções masculinas e emoções femininas, que havia uma maneira certa de ocupar um corpo. Eles acreditaram; depois cresceram. Transformaram a violência recebida em violência oferecida. É assim que a homofobia sobrevive, é assim que o preconceito se instala. Instala-se quando um rapaz de sete anos ouve: ‘Não sejas menina’ ou ‘Não fales assim’ ou ‘Não corras dessa maneira’ ou ‘Não dances’. A homofobia começa no policiamento da liberdade. O ódio não suporta um homem livre. Aqueles comentários não falavam do Afonso; falavam do medo. Há pessoas que passam cinquenta anos a tentar recuperar a liberdade que tinham aos nove. Não conseguem. A liberdade foi trocada por aprovação. Passamos a vida a deixar que sejam os amargos a escolher a música da nossa vida, quando podíamos era estar a dançar que nem loucos no meio da nossa própria música. Dança, Afonso. Dança”, escreveu.
Texto: Luís Sigorro; Fotos: Redes sociais/Impala