Vera Kolodzig Recorda episódio em que levou a sustentabilidade ao extremo: “Percebi que fui longe demais” [Exclusivo]
Num novo projeto do canal Casa e Cozinha, a atriz leva vários famosos a experimentarem hotéis alinhados com os valores que defende e que promovem um mundo melhor. E, nesta entrevista, confessa ainda que a idade lhe trouxe algumas mudanças ao corpo, mas que é mais saudável aos 41 do que era aos 30 anos.
Estreou recentemente um programa no canal Casa e Cozinha. O que nos pode contar sobre ele?
O Eco Reset surgiu de uma ideia minha com o realizador Ricardo Figueiredo. Eu trabalhei com ele durante seis anos, fizemos juntos o Missão 100% Português, na RTP. Em outubro do ano passado, ele ligou-me a perguntar o que é que eu gostava de fazer num programa. E eu disse, a brincar: “Gosto de ir para hotéis e receber massagens”. Depois tivemos uma reunião e decidimos criar um formato em que vamos conhecer hotéis com uma vertente sustentável, em que levo convidados para conhecerem estes espaços e partilharem a experiência.
Essa vertente mais ecológica já é uma marca sua. O que é que a fez interessar por este estilo de vida?
Foi durante a minha gravidez. Na altura, estava a fazer um espetáculo com mais seis atrizes grávidas, entre elas a Joana Seixas, que me abriu imenso os olhos em relação a certos temas. Comecei pela alimentação, porque queria muito nutrir o meu bebé da melhor maneira. Antes disso, só comia porcarias, era daquelas pessoas que comiam mal, mas tinha sorte com o físico. E, quando uma pessoa está prestes a ser mãe, também pensa no mundo que quer deixar para o filho. Então, comecei a ganhar consciência e a dar pequenos passinhos.
E esse tornou-se o seu estilo de vida a tempo inteiro?
Não posso dizer que seja superecológica ou que viva de uma maneira sustentável, mas tento fazer as pequenas escolhas que estão ao meu alcance, evitando grandes fundamentalismos para não viver com ansiedade, que é uma coisa que às vezes acontece.
E que é muito comum nas gerações mais jovens…
Houve alturas em que também estive assim. Das primeiras coisas que recusei foram garrafas de água de plástico, e lembro-me de estar na rua com o meu filho e ele estava cheio de sede. Decidi não comprar uma água e, quando chegámos a casa, percebi que fui um bocadinho longe demais. Eu posso perfeitamente comprar uma garrafa de água de vez em quando. Não é preciso estar a sofrer com estas escolhas nem chegar a um extremo.
Deixou até de comer carne durante um período. O que a fez voltar atrás?
Foi também na gravidez, e na altura até começou como uma brincadeira. Eu já gostava imenso de comida vegetariana e, quando comecei a querer opções mais saudáveis, a carne saiu da minha alimentação. Mas, como estava grávida, sempre disse que, se me apetecer um bife, vou tentar ouvir o meu corpo e perceber o que é que me faz sentir melhor. A verdade é que eu me sentia muito bem a não comer carne. Mas as minhas intenções sempre foram saúde e sustentabilidade, ou seja, enquanto me sentir bem e estiver a fazer uma boa escolha para o planeta, então está tudo certo.
Foi por isso que decidiu abrir uma exceção?
Houve uma altura em que eu era mesmo vegana. Mas se eu estivesse nos Açores, por exemplo, sabia que era mais saudável e consciente comer um peixe do mar do que pedir uma tosta de abacate. Estava mais alinhado com os meus valores. Também gravei muito tempo no interior do País e, quando lá estava, como vegana, basicamente comia pão com azeite e cogumelos em lata, que não me estava a dar os nutrientes necessários. Aí, comecei a abrir-me aos ovos, porque havia pessoas que tinham galinhas.
A idade também trouxe algumas mudanças?
Eu já tenho 41 anos, portanto é normal que o meu corpo funcione de uma forma diferente. Fiz umas análises há uns meses que revelaram que eu não estava a absorver ferro nem vitamina B12, apesar de toda a suplementação. E a minha naturopata disse que não me fazia mal comer um bife de vez em quando. E, sendo alinhado com a parte da saúde, abri-me a essa possibilidade. Mas não foi uma coisa que me tenha dado prazer, no início.
Leia a entrevista na íntegra na NOVA GENTE desta semana. Já nas bancas!

Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Zito Colaço